Editor conta sua saga para ‘maratonar’ a novela Celebridade

Acabei de rever a novela Celebridade pelo Globo Play. No estilo Netfflix, foi mais ou menos como uma maratona. Porém, diferente das séries e minisséries estrangeiras, confesso: foi muito difícil maratonar novela.
Em média, as séries da HBO e canais de streaming têm entre 08, 10 ou 12 episódios (as mesmas produzidas pelas TV aberta americana continuam com os tradicionais 20 ou 22). Sendo assim, em duas ou três noites, você consegue assistir uma temporada.
Novela é outra coisa. É feita para ser consumida aos poucos. Demora uma eternidade para engrenar. Quando você acredita no ‘agora vai’, surge as subtramas. E aquele amontado de personagem chato, mas necessário para sustentar uma trama com mais de 150 capítulos (ou episódios, se fosse uma série).

Novela é uma obra aberta, ou seja, sofre interferências do tempo, da vontade do autor, da direção da emissora e, principalmente, do público. Quem manda, alias, é o público. Assim, a trama precisa ter uma aceitação. Nesse quesito, o autor precisa captar o ‘Zeitgeist’ para acertar naquilo que os espectadores querem assistir.

Como seu tempo de duração é longo torna-se muito difícil o autor manter sinais de criatividade, coerência ou novidades por necessitar arrastar uma estória, que, em alguns casos, se resolveriam em dez episódios, se fosse uma série.

Consegui assistir Celebridade em dois meses – mais ou menos. Foi a terceira vez que vi e a primeira vista numa ‘quase’ sequência interrupta. E admito: foi bem difícil manter o interesse.
Lembrando que a trama foi escrita por Gilberto Braga, que, na época, era um ótimo cronista da realidade da sociedade carioca da época. E, com menos acertos nos núcleos mais populares.

A Trama

Celebridade – Claudia Abreu e Malu Mader @ Reprodução

Retirada do filme ‘All About Eve/A Malvada’, de 1950, a trama conta a estória de uma mulher bem-sucedida que contrata uma sonsa como assistente. Sonsa é aquela que ou aquele que finge não ter defeitos ou se faz de simplório, palerma, inocente, mas faz coisas reprováveis dissimuladamente ou pelas costas.

Assim como o filme estrelado por Bette Davis e Anne Baxter, Maria Clara, a mocinha, demora uma eternidade para sacar quais as intenções da pérfida Laura Prudente da Costa. Afinal, com aquela linda e loira cara de anjo, quem desconfiaria de suas reais intenções?

Ali, tivemos o melhor de Gilberto Braga: a construção de uma vilã com diversas matizes para o deleite de uma grande atriz roubar a cena. Claudia Abreu já era respeitada desde sua atuação como Heloísa, na minissérie ‘Anos Rebeldes’, de 1992, porém, com Laura, seu nome passou para o primeiro posto como a melhor atriz da sua geração.

Com menos talento, mas com muito carisma, Malu Mader fez o que pode para dar dignidade a mocinha da trama. Ela é uma atriz naturalista, que economiza emoções. Porém… Veja bem: Glória Pires também é uma atriz sem formação técnica, mas dominou a arte da atuação em TV e cinema como poucas. Não é uma qualidade para poucos, admito.
Nesse núcleo de maldade, Claudia encontrou em Fábio Assunção, o Renato Mendes, um parceiro super afinado. As cenas com ambos foram marcantes. Alias, a atriz é tão boa que até o canastrão Márcio Garcia era ‘menos pior’ ao seu lado.

Debora Secco, Marcelo Faria e Juliana Paes @ Reprodução

Na sub trama de Celebridade temos a manicure Darlene Sampaio (Débora Secco). Sem qualquer talento artístico, seu projeto de vida era tornar-se famosa. Esqueça qualquer tipo de ética, pois mentira, enganação, chantagem ou golpe da barriga foram alguns dos artifícios que ela usou para (tentar) atingir seu objetivo.
Curioso que, na época, pouca gente notava que ela era tão pérfida quanto Laura. Mesmo com objetivos diferentes e amparados por justificativas próprias para suas ações, mas eram vilãs. Vilã é aquela personagem que não tem ética ou moral para realizar suas ações.
No caso de Darlene, pai, namorado e amigos passavam pano em tudo o que ela fazia. No máximo, justificavam o quanto ela era (supostamente) ingênua, boba e fútil. Demorou mais de 100 capítulos para o pai despertar.

A personagem Darlene serviu como símbolo da Era da Celebridade. Também serviu de referência para os futuros ex-BBBs, sub celebridades e influenciadores digitais das redes sociais. Gente sem talento algum, mas com o objetivo único de se tornar famoso.
Com isso, ‘Celebridade’ continua uma novela relevante e oportuna. Mas… Conseguir maratona-la é outro conversa.

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