O artista e o fã LGBTQ+

A cantora sertaneja Marília Mendonça fez uma piada transfóbica numa Live no sábado (8) que provocou reações nas redes sociais. Diante da repercussão, correu para o Twitter para ‘pedir desculpa. Duas vezes. Ontem e hoje.
Em algumas listas LGBTQ+, apaixonados fãs passaram pano. Ou seja, aceitaram ser insultados em nome da paixão por seu ídolo.

Fã LGTBQ+ deveria se lembrar de que: artistas não podem ser homobóficos, transfóbicos, racistas, xenófobos, misóginos, gordofóbicos ou qualquer tipo de preconceituoso, pois sua fala (ou escrita) tem grande poder. São pessoas influentes.
Se a publicidade o contrata para divulgar um produto significa que sua imagem tem credibilidade para vender um produto. E isso é muito antigo.

Hollywood ensinou isso há mais de 100 anos, quando estrelas do cinema mudo estampavam jornais e revistas para anunciar que usavam sabonetes e os mais variados produtos de tratamento de beleza. Desde àquela época, empresários e publicitários sabiam que essa união (artista+produto) poderia render frutos.
Sendo assim, o artista constrói uma reputação – principalmente com seus fãs.
Judy Garland, Barbra Streisand, Liza Minnelli, Diana Ross, Bette Midler, Cher, Madonna, Cyndi Lauper, Whitney Houston, Christina Aguilera, Lady Gaga, Katy Perry e Pink são algumas das grandes estrelas da música internacional que, desde muito cedo, entenderam como tratar com seus fãs LGTBQ+.

Marília Mendonça no Faustão @ Reprodução

Sejam em canções, entrevistas, participações em eventos de ativismo (Paradas, shows, etc), atitudes e tudo mais que pudesse manifestar seu carinho e apoio.
Elas entendem que esse público é fiel. Que ele estará presente em todas as fases da carreira. Do auge, declínio ou morte (no caso de Judy e Whitney), o fãs continuará cultuando-as e perpetuando seu nome.
Entenda: isso acontecia antes da internet, redes sociais, Lives… Hoje isso é até mais fácil.
Ok. Sabemos que elas são bem assessoradas e melhor preparadas do que uma cantora sertaneja brasileira que, sinceramente, nem sei o que canta ou muito menos se tem alguma obra voltada o público LGTBQ+. Porém, isso não lhe dá o direito de fazer qualquer tipo de piada homofóbica ou transfóbica. Piora quando, depois da repercussão, ela usa usa rede social para se justificar. Duas vezes.
Veja bem: a pessoa fez o infeliz comentário numa Live para garantir o riso dos machistas ao seu lado (coisa típica de macho ridículo em churrasco ao lado dos amigos). Ela não teve a sensibilidade de perceber que falou merda e tentasse pedir desculpas AINDA DURANTE A LIVE?
Ou seja, ela só se preocupou em justificar depois que as pessoas se manifestarem pelas redes sociais?
Ah, pelo amor… Não tem justificativa. Não tem desculpa. Não tem que passar pano. Não existe essa de ‘pensei melhor’, ‘refleti melhor’…
Artistas homobóficos, transfóbicos, racistas, xenófobos, misóginos, gordofóbicos ou qualquer tipo de preconceituoso estão plenamente conscientes do que fazem.

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