Micaela Huertas explica o porquê da paixão pelo rock

Gosto da sonoridade, gosto quando a música me chama. Não é só uma boa música tocando, é um chamado. Algo que vibra internamente e faz o corpo tremer, o coração bater mais forte, as emoções brotarem por cada poro. Isso já seria suficiente, mas ainda tem o fato de que o rock muda o mundo.
É fácil entender como estes dois fatores me tornaram uma apaixonada por rock. Na infância eu ouvia o que as irmãs ouviam. Década de 80 e o rock nacional estava no auge. Além do rock 70 que estava ali do lado, pulsando ainda. Então eu tomei aquele banho de Ira!, Plebe Rude, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Titãs, Led Zepplin, Pink Floyd, The Doors, Janes Joplin e tal.
Desse início tenho algumas estórias mais marcantes. Quando era criança não sei exatamente como surgiu um vinil do Suzy Quatro em casa. Ninguém conhecia a cantora e eu resolvi ouvir. Amei de primeira. Amei a guitarra, amei a voz dela. Amei ver na capa as roupas que eles usavam e uma mulher ali, liderando. Começar com Suzy Quatro foi especial.

Lembro também que minha irmã Moneti sempre me convencia a tirar do desenho e colocar no Clip Trip com a frase “é legal, tem clipes das músicas que você gosta, até Bon Jovi e Guns”. Aliás, Bon Jovi era a banda preferida da Milena, minha outra irmã, e acabou nos acompanhando até hoje. Não pode tocar que as três já se unem no coro e risos. Melhor foi descobrir que as filhas delas, sem conhecer pela gente, também adoram.
Tive ainda a sorte de esbarrar com dois colecionadores. O Marquinhos – irmão da minha melhor amiguinha da rua na infância – era completamente maluco por The Smiths. Trazia até os vinis importados, tinha todos. Resultado: brincávamos de casinha ao som de Smiths e do Marquinhos falando da banda.
Já adolescente minha irmã teve um namorado que também era deste tipo, só que com Led Zeppelin e Raul Seixas. Até hoje eu conheço músicas destes artistas que nem todo mundo conhece. Eles ficavam muito felizes em me apresentar as músicas, contar histórias e garantir que eu não iria me perder no caminho.
Bebi destas fontes e encontrei amigas que também bebiam por toda adolescência. Ainda tivemos a sorte de passar pelo grunge na década de 90 e ver tudo isso no tempo certo. As bandas que salvaram o rock dentre as quais L7 e Nirvana foram pra mim as mais especiais.
Então veio a faculdade e uma revolução aconteceu. Um ano em festa e bar de faculdade é suficiente para se enjoar de quase tudo do rock 70 e nacional. Só tocam isso. Sempre as mesmas. Em demasia. Eu precisava de coisa nova e meus amigos adoraram poder me mostrar.
Fim da década de 90 e início de 2000: quanto mais desconhecida a banda era, parecia melhor. Comecei com Sonic Youth (até hoje minha banda do coração) e foi um caminho sem volta. Descobri muita banda punk e underground que nunca tinha escutado falar, de antes e depois do auge do movimento. Descobri outros estilos, muita coisa que nem era nomeada, caíam todas na alcunha de alternativo.
A descoberta mais significativa foi o movimento riot grrrl. Então me apaixonei pelas bandas de meninas de fora e daqui. Mulherada determinada a tocar, cantar, ganhar espaço e não ser só a bonitinha da banda ou a namorada dos caras. Entraram para minha lista Le Tigre e Sleater Kinney.
Também foi incrível ver a cena underground brasileira. Ir a shows de bandas iniciantes, fazendo som próprio ao invés de tocar cover. Wry, The Biggs, The Butchers Orquestra, Garage Fuzz, Dance of Days, etc.
Tem tanta banda e estilo que eu gostaria de citar, de mostrar!
O rock é um estilo muito vasto e fico triste às vezes de ver que a muita gente ainda ouve o mesmo de sempre. Dar chance para conhecer o que tem de novo é essencial pro rock não morrer. Tem tanta gente criticando dizendo que o rock morreu e não se faz mais bandas como antes e eu só fico pensando que quem tenta fazer não tem a chance, porque só escutam e compram o mesmo de sempre.
O rock não morreu e nem vai morrer nunca. Mas é uma música social. É constantemente influenciada pelo contexto histórico, cultural, social e econômico.
Quem grita que quer mudar o mundo, grita conforme o mundo em que vive. Não dá pra ficar sonhando com um novo Led Zeppelin pra sempre.

Micaela Huertas Rock Star @ Acervo Pessoal

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