Mudar a chave do consumismo é um processo bem difícil

Acabei de fazer uma compra online com ajuda de uma excelente consultora indicada por uma colega jornalista. Ela foi muito atenciosa, mesmo eu não sendo um cliente esbanjador.
Ou melhor: hoje não sou mais um comprador compulsivo. Já fui, mas faz algum tempo que mudei meus valores.
Hoje, a palavra desapego assumiu o controle. Compro quando realmente algo acaba ou está acabando.
No passado… Numa época distante, tinha um perfume para cada dia da semana. Faço questão de contar essa bizarrice, pois é importante me lembrar do quanto fui um idiota.
E veja bem: além de perfumes, comprova excesso de roupas, sapatos, meias (ainda tenho uma gaveta que me dá vergonha), livros, revistas, CD e DVD. Não podia pisar num corredor de shopping que estava comprando alguma coisa. Quando não tinha nada que me interessava, comprava meia.
Esse comportamento era um misto de problemas. Eu precisava de COISAS para ocupar um enorme vazio que sempre me acompanhou. Eu precisava de COISAS porque precisava MOSTRAR (sei lá para quem) que PODIA comprar. E pior de tudo: eu precisa de COISAS porque era COMPULSIVO.

Closet de Sapatos e Bolsas @ divulgação

Enfim… Tudo mudou em dezembro de 2015 com a morte da minha mãe.
Sozinho e com três cachorros (na época, além do Bernardo, existiam o Eugênio e a Olivia), descobri que manter uma casa não era nada fácil.
Os dilemas eram: comprar um perfume importado ou ração? Comprar o livro de moda, cinema ou música ou ter comida na geladeira? Comprar uma calça jeans ou pagar o boleto da luz?
Foi um longo e demorado processo para mudar a chave. Mas no momento que ‘botei reparo’ no meu guarda-roupa quase cai da cama: 20 camisetas pretas, vermelhas, cinzas, brancas, azuis, verdes e pelo menos uma ou duas de outras cores da cartela Pantone do ano… 40 pares de meias… 30 cachecóis… Jaquetas jeans… Casacos de lã… Dois trench-coats… Sapatos… Relógios…
Piorou quando encontrei duas estantes de livros, revistas, CD e DVD… Eu me justificava que eles seriam meus companheiros na velhice… Afffff…
Dei um basta!

Desapegar tornou-se um mantra. Doar, vender ou jogar no lixo (dependendo do estado físico do produto) virou um hábito. Muita coisa foi embora e outras ainda irão.

A casa sentiu a mudança. A energia se renovou. Os (ainda) poucos espaços vazios ganharam destaque. Grande ou pequena, sua casa precisa ter aquilo que realmente seja necessário.
O guarda-roupa também sofreu mudanças. Doei muita coisa, porém, ainda me assusta quanta coisa sobrou. Também deixei de usar relógios. Acho desnecessário. Celulares também tem essa função. Pior ainda: peguei implicância com eles.
Lógico que não estou curado do consumismo. Acho difícil ficar imune ao excesso de propaganda que nos acostumamos a ver a todo minuto.
Porém, desfaça daquilo que não tem função em sua vida. Ou até deixou de representar algo.
Foque naquilo que tem prioridade para você.