Os filmes favoritos de Jorge Marcelo Oliveira em 2020

Num ano incomum, no qual ir à sala de cinema tornou-se perigoso, os principais lançamentos aconteceram nos serviços streaming.
Um dos favoritos para o Oscar 2021 Os 7 de Chicago (Netflix) mostra a julgamento de 16 pessoas envolvidas numa manifestação contra a guerra do Vietnã que interrompeu o congresso do partido Democrata em 1968. É baseado numa história real.

É tão inacreditável como as coisas acontecem no tribunal que parece irreal. É para entender que existe todo tipo de juiz.

Roteiro, direção, elenco são ótimos. Montagem é sensacional.

Mulher Maravilha 1984 teve estreia simultânea tanto no cinema quanto na TV (para quem tem o HBO Max…) para comprovar que é melhor filme da DC Comics desde ‘Batman: O Cavalheiro das Trevas’, de 2008.
Impecável reconstrução de época (nunca os anos 80 foram tão bem celebrados), o filme surpreende pela força de um roteiro que coloca uma questão em destaque: ‘O que você pediria a uma Pedra do Sonho?’
O resultado garante o espetáculo da mais poderosa super heroína da história. Belíssima homenagem no pós-crédito. Uma ressalva: um corte de uns 10 minutos não faria mal para a trama, principalmente nas cenas com do caricato vilão.

Em terceiro, o terror Antebellum (que ganhou o título de ‘A Escolhida’) foi um chute no estômago, provocando indignação ao discutir racismo de uma forma visceral.

A trama começa entre os anos de 1861 e 1865, período da Guerra de Secessão, entre o Norte (a União), e o Sul (os Confederados). Enquanto ao Norte do país crescia com o início da Revolução Industrial, o sul mantinha sua economia na colheita de algodão graças à mão de obra escrava.
Numa dessas fazendas, escravos tentam fugir da terrível realidade. Paralelo a isso, encontramos a bem-sucedida escritora Veronica Henley que se prepara para uma palestra do seu mais recente livro. O que uma coisa tem a ver com a outra? Pois é… É o filme mais inacreditável de 2020.

E se, na hora da sua morte, você pudesse voltar para terminar algo que acredita ter ficado incompleto? Com o plot assim, a animação Soul (Disney Plus) se coloca com uma das grandes produções da Disney dos últimos anos.

Além do ótimo roteiro , o filme é um musical que não tem canções fofinhas no meio das cenas. Ao contrário, o que temos é Jazz, o estilo musical mais elegante da história da música. Tocado, alias, somente nos momentos oportunos. Aleluia.

O nacional Alice Júnior (Netflix) trouxe a estória da Digital Influencer adolescente transexual que enfrenta o preconceito quando se muda do Recife para uma minúscula cidade do Sul. Contando com o apoio do pai e dona de muito carisma, ela provocará uma revolução na cabeça dos conservadores. Entre outros méritos, a querida Anne Celestino, que brilha como a personagem título.

Pensa num filme que deveria ser exibido nas escolas como matéria obrigatória sobre direitos humanos.
Para completar a lista dos meus favoritos no ano: “The Boys on the Band”, “O
Som do Silêncio”, “Destacamento Blood”, “A Voz Suprema do Blues” e “O 3º andar – Terror na Rua Malasaña”.