A série limitada ‘Halston’ da Netflix

Tenho uma confissão: até ontem, quando ouvia o nome Halston, a primeira referência que surgia era: ‘estilista americano amigo de Liza Minnelli que representou o estilo dos frequentadores do Studio 54’ – o templo do glamour, luxo, drogas e sexo livre.
Porém, Roy Halston Frowick foi mais do que isto. O tempo, porém, foi ingrato com seu nome. A série limitada que estreou em 12 de maio na Netflix tem potencial para mudar este fato.
Nascido em Des Monde, Iowa, mudou-se para Indiana aos 14 anos. Estudou na School of the Art Institute of Chicago, trabalhou como vitrinista até abrir uma loja de chapéus. Em 1957, mudou-se para Nova York e foi trabalhar na loja de departamento Bergdorf Goodman. Criou o chapéu Pilbox usado por Jacqueline Kennedy na pose de seu marido John em 1961. Ganhou matéria na revista Newsweek. O sucesso foi estrondoso.
Com o desinteresse por chapéus na metade da década de 1960, começou a desenhar roupas femininas. Contando com o apoio de uma milionária texana para abrir seu ateliê.

Sua proposta era uma roupa elegante, minimalista, sofisticada e principalmente confortável. Seu primeiro sucesso foi a criação de um vestido/camisa de Ultrasuede – uma camurça que podia molhar e não estragava.
O ateliê atraiu nomes como Greta Garbo, Babe Paley, Anjelica Huston, Gene Tierney, Lauren Bacall, Margaux Hemingway, Elizabeth Taylor, Bianca Jagger e Liza Minnelli (ambas se tornaram suas amigas).
De 1968 a 1973, suas coleções arrecadaram U$ 30 milhões. Nesse último ano, vendeu seu nome para a Norton Simon, Inc por U$ 16 milhões, mas se manteve como Diretor Criativo. Em 1975, lançou uma fragrância para a Max Factor, que, dois anos depois, atingiu a marca de R$ 85 milhões em vendas.
No total, seu nome estava numa linha de roupas masculinas, lingeries, bolsas, malas, uniforme para a companhia aérea Braniff Airways.

Halston (2021)

Em 1973, o Palácio de Versalhes foi cenário para uma ‘Batalha’ com os principais nomes da moda internacional: cinco franceses, Christian Dior, Yves Saint Laurent, Hubert de Givenchy, Pierre Cardin e Emanuel Ungaro e cinco americanos, Halston, Anne Klein, Oscar de La Renta, Stephen Burrows e Bill Blass. Recém premiada com o Oscar de Melhor Atriz por ‘Cabaret’, Liza Minnelli apresentou os desfiles dos EUA.
A revista Vogue apontou Halston como o responsável por popularizar os caftans criados para Jacqueline Kennedy, o vestido de Jersey (hit das discotecas) e o poliéster no mercado americano.
Outro mérito: Halston foi um dos primeiros estilistas a colocar modelos negras no seu casting, como Pat Cleveland e Beverly Johnson.
Apesar desta extensa bagagem, no nome Halston sumiu no tempo. O nome tornou-se tão popular que perdeu status ou glamour. Hoje, a marca continua a existir, porém, sem qualquer relevância no cenário internacional.

Ficção

Estas e outras questões (como sua movimentada vida pessoal regada a drogas e sexo) são abordadas na série limitada de cinco capítulos ‘Halston’.
Para começo de conversa: Ewan McGregor encontrou o papel de sua vida. Simplesmente ele está perfeito no papel do estilista afetado, inseguro, arrogante, marqueteiro e emocionalmente frágil, cheio de feridas abertas e mal resolvidas, principalmente envolvendo sua infância ao lado de um pai machista e uma mãe omissa. Finalmente um trabalho no qual o nome do ator escocês será eternizado.
Vamos admitir: desde sua participação no cult dos anos 90 ‘Cova Rasa’, Ewan transitou por tantos trabalhos, em sua maioria, irregulares. Suas participações como Obi-Wan Kenobi da nova trilogia Star Wars’ não são exatamente um primor no campo de atuação… Digamos…
Enfim… A partir de ‘Halston’, ele avança muitas casas. Certamente seu nome deverá ser um dos destaques no Emmy 2021 em setembro.

Ewan McGregor como Halston (Netflix)

Porém, os méritos da série também se estendem para a direção (Daniel Minaham), que transita com talento pelo luxo (as sequências de elaboração do primeiro modelo em corte enviezado, da Batalha em Versalhes e do ballet de Martha Graham são incríveis) e lixo (as cenas de pegação gay – tanto externas quanto no Studio 54 são ótimas). Destaque também para os impecáveis figurinos, direção de arte e fotografia.
Depois de tantas bombas, finalmente o nome do produtor e roteirista Ryan Murphy volta a ser referência de qualidade. É seu melhor trabalho desde as primeiras temporadas de ‘American Horror Story’ e ‘Glee’.
Ao final dos cinco surpreendentes capítulos, surge até a pergunta: ‘Puxa, mas já?’

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