‘Mama’ Cass Elliot – a bela voz das décadas de 1960 e 1970

A cantora “Mama” Cass Elliot nasceu em Baltimore, em 1941, com o nome de Ellen Naomi Cohen. Quando cresceu, sua família se mudou para Virgínia, Washington DC.
No colégio, adotou o nome “Cass” em homenagem a atriz Peggy Cass e “Elliot ” a um amigo falecido.
Cantou em grupos sem expressão (como The Big Three, The Mugwumps e The Lovin’s Spoonful) até ser convidada por Denny Doherty para se juntar no projeto de um quarteto ao lado dele e do casal John e Michelle Phillips.
Depois de horas assistindo televisão e discutindo prováveis nomes do novo grupo, assistiram uma matéria sobre os “Hell’s Angels” revelando que suas mulheres eram chamadas de “Mamas” e os rapazes de “Papas”. Surgiu o “The Mamas & The Papas”.
Na época, eram os únicos americanos que concorriam com o fenômeno britânico The Beatles. De 1965 a 1968, lançaram cinco álbuns e cravaram dez singles nas listas dos mais vendidos. “Monday, Monday” e “California Dreaming” se tornaram hinos de uma geração.

Mama Cass era conhecida pelo ótimo senso de humor e otimismo, além de ser considerada a mais carismática artista do grupo. Sua poderosa voz foi outro diferencial. Ao mesmo tempo, era muito temperamental.

Mama Cass Elliot no especial Don’t Call Me Mama Anymore’ – Setembro 1973 @ CBS Photo Archive via Getty

Em 1967, no auge do sucesso, ela teve uma acalorada discussão com John Phillips e abandonou o grupo. Apesar disso, por contrato, gravou o último álbum. Deste trabalho, surgiu a canção “Dream a Little Dream of Me”, creditada e cantada apenas por ela – posteriormente, se tornou a canção que a imortalizaria.

Em carreira solo, Mama Cass gravou seis álbuns com singles que se tornaram sucesso, como “California Earthquake”, “Move in a Little Closer, Baby”, “It’s Getting Better”, “Make Your Own Kind of Music” e “New World Coming”.
Constantemente aparecia em programas de televisão, como o ‘Tonight Show with Johnny Carson’, ‘The Mike Douglas Show’, ‘The Andy Williams Show’, ‘Hollywood Squares’, ‘The Johnny Cash Show’, ‘The Smothers Brothers Comedy Hour’ e ‘The Carol Burnett Show’.
Ao lado do sucesso, era perseguida de forma implacável pela imprensa pelo fato de ser obesa. Se não bastasse, sua vida pessoal foi caótica e seus casamentos fracassaram.
O primeiro foi em 1963 com Jim Hendricks, que a convenceu a se casar para fugir da convocação da Guerra do Vietnã. Porém, quando descoberto, o casamento foi anulado. Pior: nem foi consumado.
Em 1971, se casou com o jornalista Donald Von Wiedenman (ele era Barão alemão). Durou alguns meses.
Em 1967 ela teve uma filha, Owen Vanessa Elliot, sem revelar quem era o pai.  Anos depois, Michelle Phillips, ex-companheira do ‘The Mamas And The Papas’, ajudou a garota a descobrir que era filha do músico Chuck Day.

Drogas

Em 1968, Mama Cass fechou um contrato para uma série de shows em Las Vegas. Antes, ela havia passado por uma severa dieta no qual perdeu 45 dos 136 quilos em seis meses. Isso causou uma úlcera estomacal e problemas nas cordas vocais. Ela ‘tratou’ consumindo leite e manteiga. Ganhou 20 quilos.
Ficou de cama por três semanas antes da primeira performance no Caesars Palace, no qual ganharia U$ 40 mil por semana por dois shows por noite.

Para a noite de estreia, consumiu muito chá com limão. Na plateia, Liza Minnelli, Mia Farrow, Jimi Hendrix, Joan Baez, Sammy Davis Jr se juntaram aos 950 presentes. O que seria seu auge revelou-se um pesadelo.

Estava com febre e sua voz foi piorando a cada canção. No final do show, pediu desculpas à plateia. Cantou ‘Dream a Little Dream of Me’ e ao sair do palco, recebeu poucos aplausos. Na noite seguinte, sua voz piorou.
A imprensa foi implacável. A revista Newsweek a comparou com o naufrágio do Titanic. O show foi cancelado e ela voltou à Los Angeles para fazer uma cirurgia de extração das amídalas.
Depois do desastre em Las Vegas começaram a surgir boatos que, na realidade, seu problema era o vício em heroína. Isso contribuiu para entrar numa profunda depressão.

Em sua biografia em 1988, o cantor David Crosby confirmou que, naquela época, Mama Cass era sua parceira no consumo de heroína. Entre as revelações, que adoravam viajar para Londres, onde compravam opióide e cocaína.

Mama Cass Elliot @ divulgação

Morte

Em abril de 1974, pouco antes de se apresentar no programa do Johnny Carson passou mal e foi internada. Foi diagnóstica com Stress. Em julho daquele ano, fez uma bem-sucedida turnê de duas semanas em Londres. Na noite após o último show, telefonou para Michelle Phillips (sua antiga companheira do grupo) para contar que foi ovacionada todos os dias.
Depois da ligação, foi dormir e durante a madrugada, teve um ataque cardíaco, Estava com 32 anos.
Seu corpo foi velado no Mount Sinai Memorial Park, em Los Angeles, depois, foi cremado.
Após seu funeral, surgiram diversos boatos sobre sua morte. A mais famosa foi que morreu graças a um sanduíche engasgado na sua garganta. Anos depois, descobriam que isso foi falado pelo médico que a atendeu, pois ao seu lado, havia metade de um lanche. Outros fofocas garantiam que teve uma overdose.
Os boatos só terminaram quando a autopsia revelou que não existia nenhum alimento em sua traqueia ou qualquer droga no seu organismo. Ou seja, ela realmente teve um ataque cardíaco.

Legado

Até hoje, “Mama” Cass Elliot arrebata uma legião de fãs, que se impressionam com sua poderosa voz em delicadas canções.
Entre os famosos, Beth Ditto revelou que cresceu ouvindo suas canções, assim como Boy George e k.d.lang.
Em 1996, ela foi redescoberta graças ao filme inglês ‘Delicada Atração’, no qual o personagem principal a ouvia constantemente.
Na segunda e terceira temporadas da série LOST, em 2005, a canção “Make Your Own Kind of Music” foi usada para alimentar o o mistério da trama.

Em 1998, seu nome foi incluído no Rock and Roll Hall of Fame pelo trabalho com o grupo ‘The Mamas and the Papas’.
A canção “Make Your Own Kind of Music” também tocou em dois episódios da oitava (2013) temporada de ‘Dexter’.
“It’s Getting Better” foi ouvida na quarta temporada (2006) de ‘Lost’.
O videoclipe ‘Daylight’ do grupo The Crosby, Stills & Nash Daylight Again, de 1982, foi dedicado a sua memória. O grupo também a homenageou no álbum ‘Greatest Hits’, em 2005.
Em 2019, seu nome foi citado no filme ‘Rocketman’. No filme ‘Era Uma Vez em Hollywood’, ganhou uma rápida aparição na pele da atriz Rachel Redleaf.

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