A História do Perfume

Nos tempos mais remotos, os homens invocavam os deuses por meio da fumaça. Eles queimavam ervas, que liberavam diversos aromas. Foi neste contexto que surgiu a palavra PERFUME, em latim “per fumum”, que significa “através da fumaça”.
Conta-se que Cleópatra, Rainha do Nilo, seduziu tanto Marco Antônio quanto Julio César usando um perfume à base de óleos extraídos das flores feito especialmente para ela.

Cleópatra segundo a egiptóloga Sally Ann Ashton @ Reprodução

Embora a origem do perfume esteja no Egito, foram os gregos que aperfeiçoaram a perfumaria. Eles extraíam óleos essenciais e criavam pomadas, pastas e unguentos, o que facilitava o armazenamento e transporte dos perfumes.
Por volta do ano 800 a.C, eles já exportavam óleos de flores e plantas, como rosa, lírio, sálvia, tomilho, manjerona e avenca.
Eles gostavam muito de perfume, tanto que acrescentavam até mesmo pétalas de rosas em suas receitas mais sofisticadas. Era muito popular entre os atletas e poetas.

Recipiente de perfume do Antigo Egito Ancient Egyptian – 664–630 a.C – Metropolitan Museum of Art de Nova York @ Reprodução

Existiam os filósofos na Grécia que usavam perfumes antes de se apresentarem ao público.

Tapputi é considerada a primeira perfumista da história, citada numa tábua datada por volta de 1200 a.C na Babilônia na Mesopotâmia (maior parte do atual Iraque e Kuwait, além de partes orientais da Síria e de regiões ao longo das fronteiras Turquia-Síria e Irã-Iraque).

Ela usou flores, óleo, cálamo aromático, cyperus (também conhecida como tiririca ou junça), mirra e bálsamo. Depois, adicionou água ou outros solventes destilados, que foram filtrados muitas vezes.

Garrafa de perfume da Grécia Antiga em formato de um atleta celebrando a vitória cerca de 540s a.C @ Museu Ancient Agora de Atenas

Perfume na Roma Antiga

As casas de banho em Roma eram frequentadas por pessoas de todas as classes sociais, e esses banhos incluíam vários perfumes aromáticos. Com a ajuda dos escravos, as pessoas mais ricas perfumavam até mesmo a sola dos seus pés.

Casa de Banho Romana @ Reprodução

Eles apreciavam tanto os perfumes que utilizavam as essências em tudo. Até mesmo os cascos dos seus cavalos eram perfumados, e os frascos eram levados para os campos de batalha.
Existia a crença de que os perfumes tinham um poder curativo, então, além dos grandes banhos com as essências, alguns soldados ingeriam as fórmulas com o objetivo de se curarem das feridas.
Com as conquistas e das rotas comerciais que o Império Romano deu a sua grande contribuição para a perfumaria. Ela se expandiu ao redor do mundo, inclusive por meio da Arábia, Índia e China, povos com os quais os romanos trocavam informações sobre perfumaria.
Inicialmente, a Índia usava estritamente para os rituais religiosos, porém, as mulheres indianas descobriram os prazeres de passarem horas a fio submersas em banhos perfumados e ainda untarem todo o corpo com óleos divinais.
Na China e no Japão, os perfumes eram utilizados para pulverizar os kimonos ou usados num saquinho ao pescoço.

Anfora de perfume parcialmente quebrada – segundo século d.C @ Museu Ephesus Archaeological na Turquia

Perfume na Idade Média

Os árabes tinha alcançado um grande progresso na perfumaria devido à criação da serpentina de resfriamento. Esse equipamento permitia fazer a destilação, separando a água do óleo essencial e resultando no perfume sólido, o atar.
Com as Cruzadas, os italianos conheceram a novidade por volta do ano 1300. Foram eles que incluíram o álcool nas formulações de perfume.

Vaso de porcelana de perfume britânico – cerca de 1761 @ Metropolitan Museum of Art de Nova York

Os italianos, espanhóis e franceses encarregaram-se de divulga-lo ao restante Europa, o que veio mesmo a calhar, sendo que, nos séculos XVI e XVII os perfumes fortes substituíram, literalmente, a higiene pessoal.
Naquela época, estar “limpo” não era tomar banho e lavar o cabelo, mas sim perfumar todo o corpo (cabelo e hálito incluídos!) com pós, pomadas, óleos e águas aromáticas. Pensa…

Iluminismo

O Iluminismo se iniciou como um movimento cultural europeu do século XVII e XVIII que buscava gerar mudanças políticas, econômicas e sociais na sociedade. Havia a preocupação com a moda, os penteados, a maquiagem e o perfume. Aliás, a corte de Luís XV foi batizada como “corte perfumada”, já que ali todos tinham o hábito de utilizar esse produto.
Com o lançamento das luvas perfumadas, os franceses tomaram-lhe o gosto e a indústria da perfumaria estabeleceu-se rapidamente, sendo Paris o seu quartel-general.

“Durante as festas, ou em reuniões, nos chás da realeza, Maria Antonieta costumava ter uma espécie de potinho de água de rosas ou uma água de Chipre. Ela mergulhava um lencinho de tecido e passava no corpo, no pescoço, nos braços para se refrescar e tirar o suor”, conta Helen Augusto, perfumista da Phebo.

Marie Antoinette @ Reprodução

Naquela época surgiu a expressão eau de toilette. Como já foi escrito, as pessoas passavam o perfume em seu corpo para tentarem camuflar os odores mal cheirosos e do suor – lembre-se que francês nunca teve muito apreço ao banho…

Frascos de perfume feito em mármore Carrara – cerca de 1770 @ Metropolitan Museum of Art de Nova York

No século XVII, com o amplo crescimento da população europeia e com o consequente aumento dos centros urbanos, o uso dos perfumes tornou-se notório e intensivo. Isso exigiu uma maior acuidade nos processos de fabricação, fato que culminou no aparecimento das casas especializadas na produção de perfumes.

O século XVIII trouxe perfumes mais doces e suaves, lançou grandes nomes da perfumaria mundial, como Jean-Louis Fargeon – perfumista de Maria Antonieta, Lubin e  Houbigant. Jean Marie Farina criou a primeira Eau de Cologne.

Frasco Original da Eau de Cologne de Jean Marie Farina 1811 @ Reprodução

Nem a Revolução Francesa mudou o gosto pela perfumaria. Mensalmente, Napoleão gastava 60 frascos de água de colônia de jasmim, pois não gostava de perfumes fortes. Graças a isto, os perfumes masculinos e os femininos passaram a ser diferenciados. A sua esposa, Josefina, preferia as fragrâncias intensas, à base de almíscar, tanto até que sessenta anos após a sua morte, ainda se sentia o perfume no seu boudoir.

Imperatriz Josephine Napoleon

Século XX

Com a chegada do novo século, o universo da perfumaria assistiu a muitas novidades.

A alquimia – que até então usava substâncias naturais, animais e vegetais através de técnicas de enflourage, destilação e espremedura – deu lugar à química dos produtos odoríferos de síntese, o que abriu os horizontes da perfumaria, introduzindo todas as combinações possíveis.
O lançamento do Chanel No. 5 em 1921 foi outro divisor de águas. Designers e estilistas de todo o mundo voltaram suas atenções para criar seu perfume perfeito.

Chanel n 5 Eau de Parfum @ Reprodução

Séculos XXI

Hoje, com mais de 30 mil fragrâncias lançadas, o mercado não para de crescer. Assinados por um cantor, ator, personalidade ou apresentador de TV, o perfume tornou-se um acessório indispensável para homem e para mulher. Sem contar que ele é acessível a qualquer pessoa – dada a variedade de preços.

Kim Kardashian Gold Eau De Parfum @ Reprodução

Categoria

Eau Fraiche (água doce): versão mais diluída da fragrância, com 1% a 3% de óleo de perfume em álcool e água. dura menos de uma hora.

Eau de Cologne (água-de-colônia): termo mais antigo para perfume. Leve, fresco e frutado, composto de 2% a 4% de óleos de perfume em álcool e água, duração de cerca de duas horas.

Eau de Toilette (água de banho): Spray com composição de 5% a 15% de essência de perfume dissolvida em álcool, duração de cerca de três horas.

Eau de Parfum (perfume): indicam fragrâncias que contêm de 15% a 20% de essência pura de perfume, duração de cerca de cinco a oito horas.

É comum o mesmo perfume apresentar resultados diferentes quando aplicado em pessoas distintas. Isso porque, os odores corporais são únicos, sendo resultado da alimentação, das características pessoais, dos lipídeos e ácidos graxos que a pele exala. A temperatura da pele interfere diretamente na vaporização do perfume.
O perfume é muito mais do que um prazer dos sentidos. É também uma mensagem, algo do próprio ser humano, projetando no exterior seu “eu” profundo, seus gostos, suas aspirações secretas.
Outro mérito da perfumaria foi reforçar a associação entre o uso do perfume e o jogo de sedução.

Caminho olfativo

Notas de Saída (Cabeça) – A introdução. A impressão inicial, elaborada para despertar o interesse, são as notas mais leves aquelas que “escapam” do frasco.

Ingredientes ligeiros e voláteis que evaporam rapidamente, são sentidas logo após a sua aspersão, vão direto paras as narinas. São notas frescas como limão, bergamota, laranja, pinho, lavanda e eucalipto.

 

Notas de Coração (Corpo) – O centro, a alma, a personalidade do perfume, são notas que expressam o tema principal da fragrância. Menos voláteis, evaporam mais devagar, são sentidas assim que o perfume “desaparece” sobre a pele. São notas mais encorpadas como as de flores, folhas e especiarias.

 

Notas de Fundo (Base) – Garante o poder de fixação de uma fragrância, são notas que definem o cheiro que se difunde na pele. Pouco voláteis, os ingredientes evaporam lentamente, é o último acorde a ser percebido e o que permanece por mais tempo. São notas densas, como as de resinas, de madeiras e as de origem animal.

Alguns momentos da evolução da Perfumaria no século XX

1900 – A atriz Sarah Bernhardt representa as mulheres pálidas que sofriam com o espartilho obrigatório da Era Vitoriana. Buscava alívio nos aromas refrescantes e suaves das colônias florais.

Frasco de Perfume Art Nouveau – cerca de 1900 @ Cleveland Museum of Art em Ohio

1910 – O estilista Paul Poiret foi o primeiro a colocar em sua maison uma linha própria de perfumes. A partir de então, a conexão entre moda e perfume jamais seria desfeita.

Lady of Paris de Paul Poiret 1920 @ Jean-Marie Martin Hattemberg

1920 – Gabrielle Chanel seria responsável por uma revolução no mundo da perfumaria e da moda. Ela marcou a década com seu estilo único, apostando na sobriedade e no conforto, e com o lançamento do perfume Chanel No 5. Ele completou 100 anos em março de 2021.

1930 – Greta Garbo, Katharine Hepburn e Jean Harlow dominavam as telas de cinema em plena era da crise da bolsa de valores de Nova York. Contrariando os tempos de crise, o estilista Jean Patou lançou Joy, o perfume mais caro do mundo – até aquele momento.

Joy de Jean Patou Eau de parfum @ Reprodução

1940 – Enquanto Paris era a capital do luxo, Nova Iorque se firmava como a cidade mais empolgante. E Hollywood virou a fábrica de sonhos. Os cabelos de Rita Hayworth inspiravam a moda e as curvas de Mae West motivaram a criação do perfume Femme de Rochas.

Femme de Rochas Eau de Parfum 1945 @Reprodução

1950 – A imagem de sofisticação e a inocência de Audrey Hepburn foram traduzidas no perfume L’Interdit. Chanel nº5 ganharia a mais célebre das garotas-propaganda, que confessava dormir apenas com algumas gotas do perfume: Marilyn Monroe.

Marilyn Monroe Chanel n 5 @ Reprodução

1960 – Os Beatles e os Rolling Stones embalavam o Pop Rock dos anos 60. Época da minissaia e auge da modelo Twiggy, musa da extrema magreza. As grandes mudanças de comportamento eram marcadas por fragrâncias que evocavam a liberdade. Avon lança seu primeiro perfume ‘Unforgettable’.

Campanha de Perfumes Avon

1970 – A quebra de toda a sorte de tabus era prenunciada na década na qual as mulheres clamavam por sua individualidade. A tendência oriental na perfumaria seria imortalizada com o lançamento de Opium, de Yves Saint Laurent.

Opium de Yves Saint Laurent Eau de Toilette

1980 – Fragrâncias mais densas acompanhavam o clima de competitividade sem limites. Madonna inspirava o corpo “construído” nas academias e Jean Paul Gaultier chocava nas passarelas com sua moda provocativa. Dior lança o masculino ‘Fahrenheit’ em 1988 – um sucesso até hoje.

Fahrenheit Christian Dior 1988

1990 – A década foi marcada pela globalização e pela interatividade e a perfumaria por dois ícones: o unissex CK One e o icônico Angel de Thierry Mugler. A moda voltava-se para o minimalismo.

 

Angel de Thierry Mugler 1992

Os mais vendidos no Brasil em 2020

  1. Chanel Número 5 – Notas de limão, jasmim, ylang-ylang, aldeído e neroli.
  2. Coco Mademoiselle – Chanel – Notas de Tangerina, laranja, flor de laranjeira e bergamota.
  3. J’adore Dior – Notas de pêssego e orquídea.
  4. Light Blue De Dolce & Gabbana – Notas de maçã verde e jasmim.
  5. Angel – Thierry Mugler – Notas de doces de caramelo e mel.
  6. Pleasures – Estée Lauder – Notas de violeta, rosas e jasmim.
  7. Chance – Chanel – Notas de pimenta rosa, o jasmim e a baunilha.
  8. Trésor de Lancôme – Notas de rosas e flores de pera.
  9. Allure – Chanel – Notas de jasmim e rosas de maio.
  10. Eternity – Calvin Klein – notas de framboesa, mandarim, lírio branco e lírio-do-vale.
  11. Perfume Gabriela Sabatini – Notas de tangerina, neróli e flor de laranjeira.

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