Tudo sobre o LBD (o vestido Pretinho Básico)

O surgimento do Little Black Dress (ou pretinho básico) aconteceu em 1926, quando a “Vogue” publicou uma ilustração de um vestido criado por Coco Chanel – o primeiro entre vários que a estilista iria criar ao longo de sua carreira.

Ilustração do original Little Black Dress de Chanel para a Vogue America Outubro 1926

Até então, as jovens não podiam usar preto e as senhoras o vestiam apenas no período de luto – hábito criado quando a Rainha Vitória adotou o vestido preto após sua precoce viúves em 1861.

Cena do filme A Jovem Victoria com a atriz Emily Blunt @ Reprodução

Na França, Virginie Gautreau, a Madame X, foi imortalizada no retrato de John Singer Sargent, em 1884 num abusado decote quadro, que causou escândalo na alta sociedade parisiense, ainda fortemente influenciada pelos rigores vitorianos da época.

Madame X, de John Singer Sargent @ MET

A década de 1930 começou com a Grande Depressão, resultado da quebra da Bolsa de Valores de Nova York em 1929, e terminou com a Segunda Grande Guerra, em 1945. Nesta época, as mulheres da classe média começaram a trabalhar fora de casa. Desta forma, as roupas para o dia tornaram-se mais sérias e o vestido preto foi escolha para esta nova mulher que surgia.
Quando Christian Dior lançou o New Look em 1947, o LBD ganhou uma cintura apertada, valorizando busto e quadril. Na década seguinte, ele se tornou um ‘uniforme’, sendo usado com golas, luvas brancas, colar de pérolas, sapatos scarpim e estola de pele.

A modelo Bettina usa vestido Dior Out Inv 1952 @ Frances McLaughtlin Gilll

Cristobal Balenciaga foi outro que se apropriou da cor. Influenciado pela aristocracia espanhola dos séculos 16 e 17 representada nos quadros de Velázquez, Coello, Zurbarán e Goya, suas mulheres usavam pesados vestidos pretos para evocar poder e aristocracia. O pigmento escuro (conhecido como asa de corvo) era obtido apenas através da fervura e fermentação de troncos de árvores da América Central – na época, sob ocupação espanhola.

Vestido Envelope Balenciaga 1967 @ Reprodução

Nos anos 60, ele ganhou ares mais fashionistas, com infinitas possibilidades no seu uso.
Clássico no corpo de Jacqueline Kennedy, elegante em Audrey Hepburn (eternizada pelo filme “Bonequinha de Luxo”, de 1961) e descontraído, feito de crochê, na pele da atriz Jane Birkin, em 1969, ele se tornou uma referência de estilo.

Na década seguinte, diante da moda psicodélica, dos excessos visuais do Glam e do lurex da geração Disco, ele ganhou uma pausa.
Sua volta se daria na década de 1980, quando ‘working girls’ precisavam de uma roupa simples e elegante, que fosse a todos os lugares, o vestido preto se tornou a primeira melhor opção. A cor também se tornou um símbolo dos movimentos jovens, como os punks e darks.
E não se esqueça do ‘Revenge Dress’ da estilista britânica Christina Stambolian usado pela Princesa Diana no jantar beneficente na Galeria Serpetine no Hyde Park em Londres, exatamente no dia no qual o Príncipe Charles revelou que a traiu por Camila Parker.

Princesa Diana usa vestido preto no jantar beneficente na Galeria Serpentine no Hyde Park em Londres 1994 @ Getty Image

Desde então, o vestido preto continuou como uma peça clássica do guarda-roupa feminino, produzido com variados tecidos, modelagens e cortes. Tornou-se o ‘curinga’ para não errar em qualquer ocasião.

Sua opinião

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.