Que sensacional é a série documental ‘O Canto Livre de Nara Leão’!

Globoplay acaba de disponibilizar em sua plataforma a série documental O Canto Livre de Nara Leão, que resgata a importância da cantora, compositora e instrumentista vitoriense Nara Leão.
Os cinco episódios ‘Bossa Nova’, ‘Opinião’, ‘A Banda’, ‘Quero que vá tudo pro inferno’ e ‘Fiz a cama na varanda’ nos levam à uma viagem musical em quatro décadas da carreira da mais elegante e minimalista artista brasileira (Nara nasceu em 1942 e morreu em junho de 1989). Nara era tão moderna que foi a primeira cantora minimalista do Brasil quando ninguém sabia o que significava tão palavra.

Nara Leão @ Reprodução

Da chiquérrima e internacional Bossa Nova ao ousado Tropicalismo. Da excelência do samba dos morros cariocas ao romantismo de Roberto e Erasmo Carlos, Nara foi abusada nas escolhas. Seguindo uma visionária inteligência musical muitos graus acima das colegas da época, Nara gostava de se desafiar. Ele tinha um excelente feeling para aceitar novidades.
A Bossa Nova nasceu em 1957 num apartamento do edifício Champs-Elysées, em frente ao posto 4 da Avenida Atlântica, em Copacabana. Era a residência dos pais de Nara.
Roberto Menescal (amigo que a acompanhou por 40 anos), Carlos Lyra, Chico Feitosa, Sergio Ricardo, João Gilberto, Edu Lôbo e Ronaldo Bôscoli, por quem Nara estava envolvida… Até ser trocada por Maysa, em 1960. Após o fim do namoro, com a aproximação de Carlos Lyra, ela se interessou pelo samba do morro – assim como foi despertada sua consciência do cenário politico e social que acontecia no Brasil. Ela própria admitiu que até então, vivia numa bolha e não prestava atenção em nada a sua volta.

Sua estreia profissional aconteceu no show Pobre Menina Rica, em 1963, se apresentando ao lado de Vinícius de Moraes e Lyra. No golpe militar de 1964, Nara se apresentou no espetáculo ‘Opinião’, ao lado de João do Vale e Zé Keti, que era uma crítica social à repressão imposta pelo regime. Ela ficou um mês e meio ou dois meses. Estava perdendo a voz graças à poeira do teatro. Ela indicou Maria Bethânia, que morava na Bahia, para substitui-la. ‘Carcará’ tornou-se uma das canções chaves do período. O espetáculo despertou atenção do regime militar.

“Eu acho que o cantor tem posição política. Por que o cantor é um ser humano. E o ser humano, por excelência, é ser político, né? A gente está dentro desta coisa toda… Deste contexto e a gente pensa, né?”

Foi uma das primeiras artistas a se posicionar sobre o golpe de 64. Nara tinha posições políticas muito fortes. Em abril de 1966, ela deu uma entrevista ao jornal Diário de Notícias o título: ‘Esse exército Não Vale Nada’.
Foi um escândalo. Por muito pouco, ela não foi presa. Entre os apoiadores, um poema de Carlos Drumond de Andrade defendendo sua opinião.

Em 1966, ela se apresentou ao lado de Chico Buarque interpretando ‘A Banda’ no Festival de Música Popular Brasileira da TV Record. A canção ganhou o festival, assim como o público brasileiro. Nara se tornou um artista popular.

Em julho de 1967, Nara se casou com o cineasta Cacá Diegues. Com sua agenda cheia, a lua de mel foi postergada até o momento que recebeu convite para se apresentar em Paris. Ao voltar ao Brasil, começou a fazer cursos de teatro.
Em 1968, Nara se aproximou do Tropicalismo e participou do disco ‘Tropicália ou Panis et Circensis, ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Os Mutantes (grupo com Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias).
No ano seguinte, tem uma curta participação no filme dirigido pelo marido ‘Os Herdeiros’, ao lado de Caetano Veloso. Em agosto de 1969, viajou com o marido para Londres. Declarou para imprensa local que sua carreira de cantora estava encerrada. Meses depois, acreditando que as coisas estavam mais tranquilas, voltaram ao Brasil, porém, com uma ameaça de ser presa, se mudaram para Paris. No ano seguinte, nasceu Isabel Diegues. Sete meses depois, Nara engravidou novamente. De volta ao Brasil, Francisco nasceu em janeiro de 1972 no Rio de Janeiro.
Mesmo mantendo a função de mãe em primeiro lugar, Nara voltou a gravar e participar de pequenos festivais. Faz participações nos filmes do marido e entrou no curso de Psicologia.
Em 1977 divorciou-se de Cacá Diegues e não quis mais se casar. Nos próximos dias, sempre aparecia na imprensa com um namorado novo.

Nara Leão @ Reprodução

Nos próximos anos, arriscou-se em trabalhos ousados, como os polêmicos álbuns com sucessos de Roberto e Erasmo Carlos. Foi muito criticada – principalmente pelos antigos colegas da MPB que não se conformavam com seu envolvimento com ‘música para motel’.
Em 1979, no auge do sucesso, sua saúde começou a ficar prejudicada com fortes dores de cabeça, tonturas e internações. Nos próximos 10 anos, Nara conviveu com um tumor cerebral inoperável.

Mesmo assim, não deixou de cantar, gravar e fazer shows – inclusive no Japão.
‘My Foolish Heart’ foi seu último álbum com versões de clássicos norte-americanos como ‘Maravilha (S Wonderful)’, ‘Adeus no Cais (My Funny Valentine)’, ‘Mas Não para mim (But Not for Me)’, entre outros.
Em 1989, após se apresentar no Pará, Nara voltou ao Rio e foi internada. O tumor rompeu-se. Ela morreu no dia 07 de junho.
Sua influência é presente em diversas cantoras, como Marina Lima, Marisa Monte, Adriana Canhoto, Marina Lima, Fernanda Takai, AnaVitória, entre outras. Pelo ecletismo, Marisa Monte seria sua melhor herdeira.
‘O Canto Livre de Nara Leão’ celebra os 80 anos do nascimento desta incrível cantora. É o programa obrigatório da temporada.

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