Dias nublados pedem Bolinho de Chuva

Ana Barbosa @ Divulgação

Coluna assinada pela gastrônoma Ana Barbosa

Nos tempos chuvosos, o que sempre me vem à cabeça é: “Vou fazer um bolinho de chuva”. Uma receita fácil de produzir, prática e com poucos ingredientes – normalmente temos em casa – e que te faz reviver a infância. E dessa vontade, me veio a curiosidade, como será que surgiu o bolinho?
E por isso, fui pesquisar para descobrir e contar aqui para vocês.
A receita original veio de Portugal com o nome Sonho de Natal Português. Na receita original a farinha é cozida no tacho antes de ser frita. Já por aqui, a farinha é misturada aos outros ingredientes e a massa crua é diretamente levada ao óleo quente, para fritar.
Para saber um pouco mais sobre o bolinho, temos que voltar um pouco na história, lá pelos meados do século XVIII, a farinha de trigo que conhecemos hoje era considerada uma iguaria – extremamente cara – e era conhecida como “farinha do reino”. A população não tinha acesso e utilizava em suas receitas de doces, farinha de mandioca ou de cará. Somente por volta do século XIX, que houve um aumento na produção agrícola do trigo, popularizando seu consumo e dando origem ao bolinho.
Este quitute era produzido pelas escravas para suas donas consumirem nos chás da tarde. Eram conhecidos como “bolinhos de negra”, embalados em folhas de bananeiras eram servidos quentes, e com o tempo tornou-se uma receita popular.
Agora você, caro leitor, deve estar pensando: “mas por que do nome Bolinho de chuva?” Como toda história segue uma lenda, a do bolinho não seria diferente e é a seguinte: em uma tarde chuvosa, no século XX, algumas crianças estavam brincando no quintal e para saírem da chuva, as mães tiveram a ideia de servir os bolinhos e, as crianças entraram na hora seguindo aquele cheiro de canela com açúcar. A partir daí, as crianças identificaram a chuva ao bolinho. E sempre que chovia as crianças pediam pelo Bolinho de chuva.
Há também quem diga que o Bolinho de Chuva se popularizou no Brasil, através das mãos da maior quituteira, conhecida como Tia Nastácia, personagem criado por Monteiro Lobato do Sítio do Pica Pau Amarelo, que sempre fazia os “sonhos de pobre” – praticamente igual a receita do bolinho de chuva – para o Pedrinho, Narizinho e sua boneca de pano, Emília. Inclusive, o livro de receitas “Dona Benta: comer bem” (1940), foi inspirado na personagem de Dona Benta, avó de Pedrinho e Narizinho, e na edição de 2013, na página 853, você encontra esta receita.
Apesar do nome “limitar” aos dias chuvosos, é sabido que este quitute pode ser feito e consumido também em dias ensolarados. Então, segue a receita e delicie-se:
Ingredientes:
2 ovos
3 colheres (sopa) de açúcar
1 xícara (chá) de leite integral
2 e 1/2 xícaras (chá) de farinha de trigo
1 colher (sopa) de fermento químico em pó
Açúcar refinado e canela em pó para empanar (opcional)
Modo de Preparo:
Numa tigela junte o ovo com o açúcar e misture bem com um fouet ou com uma espátula.
Em seguida, adicione o leite e a farinha de trigo, misture bem até que fique homogêneo e consistente. Fica parecendo uma massa de bolo mais firme.
Por último adicione o fermento e misture até que incorpore na massa.
Pegue uma colher da massa e com a ajuda de uma outra colher, empurre a massa para dentro do óleo quente.
Frite até que os bolinhos fiquem douradinhos, deixe escorrer e empane na mistura do açúcar com canela.

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