Após um hiato de dez anos desde o fim do Fashion Rio, a capital fluminense retoma o seu lugar de destaque no calendário oficial da moda brasileira com a estreia do Rio Fashion Week 2026 (RIOFW).
O evento, que acontece de hoje (14) até 18 de abril, surge não apenas como uma vitrine de tendências, mas como um verdadeiro espaço de resistência cultural, celebrando a arte e a criatividade como formas vitais de respiro e transformação social.
A organização está a cargo da IMM, mesma empresa responsável pelo SPFW, com direção criativa de Paulo Borges. A partir de agora, o calendário nacional de moda passa a operar de maneira integrada e estratégica: o Rio de Janeiro assume os lançamentos do primeiro semestre, enquanto São Paulo fica com as coleções do segundo semestre.

O evento ocupa três armazéns do Píer Mauá e o histórico prédio do Touring, um ícone do estilo Art Déco carioca que foi recém-revitalizado. O formato foi desenhado para transcender as passarelas e criar um ambiente de trocas reais.
Experiência Multidisciplinar: O local abriga exposições de arte, pop-ups literárias, áreas gastronômicas e encontros de networking, além das já tradicionais festas de encerramento diárias.
Espaço Saber do Rio: Um ambiente dedicado a painéis de discussão e conversas profundas sobre o futuro da indústria, sustentabilidade, novos negócios e os impactos sociais da moda.
Wellness e Estilo de Vida: O evento abraça o comportamento carioca oferecendo programação matinal de bem-estar, com aulas de yoga e spinning, reforçando a conexão da moda local com a natureza e o corpo.
Line-up: Entre a Tradição e a Necessária Pluralidade

São vinte marcas compondo a programação oficial, em uma mistura inteligente de grifes consagradas e nomes emergentes que trazem discursos urgentes para a passarela. É nesse ponto que o evento mostra sua força, utilizando a moda como um instrumento potente para debates sobre inclusão, antirracismo e respeito a todas as identidades.
Abertura e Encerramento: A Osklen abre os trabalhos hoje, dia 14, enquanto a veterana Lenny Niemeyer tem a missão de encerrar a semana no dia 18, ambas com desfiles em locações icônicas.
O DNA Carioca: Marcas que construíram a identidade de balneário e sofisticação do Rio estão de volta, incluindo Blue Man, Salinas, Isabela Capeto, Patricia Viera, Handred e Lucas Leão.
Representatividade como Protagonista: O line-up ganha densidade e relevância ao destacar etiquetas como a Dendezeiro, que eleva a estética nordestina e a pluralidade negra; o Apartamento 03, do aclamado Luiz Claudio; e Angela Brito, com sua visão apurada e alfaiataria de excelência.
Corpos Reais e Estreias: Um dos pontos mais altos é a estreia no Brasil de Karoline Vitto, estilista catarinense radicada em Londres, famosa por seu trabalho que abraça a diversidade de corpos femininos e rompe com os padrões opressores da indústria. As marcas Argalji e a mineira Hisha também fazem seus primeiros desfiles na temporada.
Conexão Global: A gigante esportiva Adidas completa a programação, validando a influência definitiva do streetwear e do esporte no universo do luxo e do design contemporâneo.
Impacto Econômico e Cultural

Além do alívio e do encantamento que a arte proporciona, a volta da semana de moda movimenta a economia real. A expectativa é que o RIOFW injete mais de 200 milhões de reais na cidade, gerando cerca de 8 mil empregos. Isso significa fomentar uma cadeia produtiva imensa, que capacita jovens e gera sustento para milhares de profissionais que operam nos bastidores da criação.
