Durante a transmissão do programa American Idol na última segunda-feira (13), Lionel Richie e Ryan Seacrest revelaram os nomes que passarão a habitar o olimpo da música no Peacock Theater, em Los Angeles, no dia 14 de novembro.
A classe de 2026 do Rock & Roll Hall of Fame chega carregada de simbolismos, reparações históricas e, como de costume, uma dose generosa de controvérsia que alimenta as discussões nas redações e redes sociais.

Para quem acompanha a trajetória da música com um olhar mais apurado, a entrada de Sade (indicada como banda, mas personificada na figura icônica de Sade Adu) não é apenas uma vitória, é um alívio.
Após ser ignorada em anos anteriores, a artista nigeriana-britânica finalmente recebe a honraria. Sade Adu sempre foi a antítese do barulho da indústria: discreta, elegante e dona de um controle criativo férreo. Sua música, uma mistura atemporal de soul, jazz e sofisticação pop, prova que a relevância não depende de exposição constante.
Em um ano de nomes pesados, o brilho silencioso de Sade é o que traz a verdadeira classe para a cerimônia.
A grande dúvida dos produtores agora é: ela aparecerá? Sem fazer turnês desde 2011, uma performance da banda seria o grande momento da cerimônia.
Além de Sade, a lista de “Performers” reflete uma tentativa do Hall de equilibrar o rock clássico com a diversidade sonora. Phil Collins faz história ao entrar como artista solo, juntando-se ao seleto grupo de músicos (como os quatro Beatles e Stevie Nicks) que possuem duas chaves do Hall, já que ele já havia sido induzido pelo Genesis. Ao seu lado, o Oasis finalmente rompe a barreira da resistência, acompanhado pelo ícone punk-pop Billy Idol, a força do metal do Iron Maiden, a melancolia pós-punk de Joy Division/New Order, a voz aveludada de Luther Vandross e a revolução lírica do Wu-Tang Clan.
Este ano, 17 nomes foram colocados à prova, o maior número da história. Isso significa que nove artistas foram deixados de fora, o que a instituição evita chamar de “esnobada”, mas que o público sente como tal. Nomes como Mariah Carey, Cher, Mary J. Blige e Jane’s Addiction não conseguiram votos suficientes.
O caso mais curioso é o do New Edition: o grupo venceu o “voto popular” com milhões de interações online, mas como o desejo dos fãs vale apenas um voto único no colegiado de 1.200 especialistas, eles não entraram. Isso levanta, mais uma vez, o questionamento sobre a utilidade real da participação do público em um prêmio que parece decidido em portas fechadas pela da indústria estadunidense.

Para evitar o constrangimento de ignorar lendas que nunca vencem a votação popular dos especialistas, o comitê utilizou suas “categorias de influência” para inserir nomes fundamentais. Celia Cruz, a rainha da salsa, e Fela Kuti, o pai do afrobeat, entram pela porta da Influência Precoce (Early Influence), ao lado das pioneiras do hip-hop Queen Latifah e MC Lyte.
É uma vitória política e social importante, trazendo representatividade negra e latina para o centro do palco. Na categoria de Excelência Musical, o produtor Rick Rubin e o lendário Jimmy Miller finalmente recebem suas flores, enquanto o apresentador Ed Sullivan recebe o prêmio póstumo Ahmet Ertegun por seu papel em apresentar o rock para as massas.
Além da presença de Sade, a cerimônia de introdução ao Rock & Roll Hall of Fame 2026 agendada para 14 de novembro, aguarda uma resposta do Oasis. Liam Gallagher, conhecido por seu desprezo público pela instituição, terá que decidir se a reunião do Oasis é forte o suficiente para fazê-lo subir ao palco ao lado de Noel para aceitar a honraria.
Enquanto isso, a transmissão da cerimônia sofre uma mudança: após três anos de exibições ao vivo pela Disney+, a edição de 2026 voltará ao modelo de gravação para exibição posterior na ABC em dezembro. Uma ideia totalmente sem sentido.
A origem da premiação
A história do Rock & Roll Hall of Fame começou muito antes das luzes dos palcos de Los Angeles ou das transmissões via streaming. Em 1983, Ahmet Ertegun, o visionário cofundador da Atlantic Records, decidiu que o gênero precisava de uma salvaguarda acadêmica e histórica, fundando a Rock and Roll Hall of Fame Foundation em Nova York.
O objetivo era elevar o rock ao mesmo status de prestígio das artes clássicas, imortalizando os arquitetos do som que mudaram o comportamento global.
Embora a fundação tenha nascido na capital financeira do mundo, o museu físico encontrou sua casa em Cleveland, no estado de Ohio, após uma mobilização popular sem precedentes e por ser a cidade onde o termo rock and roll foi popularizado pelo DJ Alan Freed. Desde a primeira cerimônia em 1986, que homenageou pioneiros como Elvis Presley e Chuck Berry, a instituição evoluiu de um clube restrito de guitarristas para um espectro amplo que hoje abraça a soul music, o hip-hop e o pop sofisticado de ícones como Sade.
Essa trajetória transforma cada nova classe de induzidos em um capítulo vivo de uma enciclopédia musical que, embora cercada de debates e controvérsias, permanece como a chancela definitiva de relevância na indústria fonográfica estadunidense.
