Em tempos cada vez mais conturbados no cenário político nacional, assolados pela corrupção desenfreada, violência urbana e falta de proteção, os filmes Tropa de Elite (2007) e Tropa de Elite 2 (2010) não poderiam ser mais “Fashion” nesse quesito, embora sejam obras de ficção. Dirigidos e produzidos corajosamente por José Padilha, os filmes não só agradaram em cheio, mas influenciaram o povo a tratar policiais honestos como heróis, a exemplo da ocupação no Conjunto de Favelas do Alemão por policiais e Forças Armadas, em novembro de 2010.É claro que o mérito não é apenas de Padilha. Os ótimos roteiros de Bráulio Mantovani, baseados em argumentos do diretor, e um elenco impecável deram vida a personagens polêmicos e politicamente incorretos.
PolêmicaO filme foi acusado de ser fascista, fazer apologia à tortura, ser unilateral, estimular a violência policial – além de extremamente violento. Isso tudo gerou grande debate na mídia brasileira que dividiu opiniões colocando, em segundo plano, a qualidade cinematográfica de um dos melhores filmes de todos os tempos – salvo divergências pelo primeiro ou sua sequência.
Foi descartado pelo Ministério Público Brasileiro para concorrer à seleção pré-Oscar ao prêmio de melhor filme estrangeiro, em 2008. Mas no mesmo ano conquistou o Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlim, mesma categoria no Festival Hola Lisboa e mais oito prêmios no Festival do Cinema Brasileiro, entre eles o de melhor filme e direção.
ArgumentoA história se passa em 1997, e é narrada em primeira pessoa pelo Capitão Nascimento, policial considerado incorruptível ainda que se utilize de artifícios pouco ortodoxos como tática investigativa. É um Personagem cheio de conflitos e estresse que procura um substituto para que possa sair do BOPE e cuidar de seu filho longe desse cenário. Motivo de sobra para não querer mais lidar com uma polícia corrupta, bandidos perigosos com armamento de última geração, e ainda uma classe média praticante da moral e bons costumes, através de ONGs, mas que financia o tráfico utilizando a droga como forma de lazer.
Com julgamento próprio, o público colocou o longa de 2007 na sétima posição do ranking nacional de bilheterias e, é provável que só não o tenha elevado à primeira, porque paradoxalmente contribuiu com uma pirataria sem precedentes no Brasil. Estima-se que mais de 11 milhões de brasileiros viram o filme antes mesmo que chegasse às telas dos cinemas.
O filme inova e mostra a verdade crua de que existem policiais corruptos sim, embora outros sejam honestos. E que bandido é bandido e não dá moleza, ao contrário de outras produções que os definem romanticamente, como vítimas da sociedade.
Já Tropa de Elite 2, como o próprio nome diz – o inimigo agora é outro -, foca o envolvimento de políticos corruptos com traficantes e contrabandistas, bem como o lobismo governamental.
Além de conquistar nove prêmios no Festival Brasileiro de Cinema, fez justiça ao anterior e foi selecionado a tentar uma vaga em sua categoria na corrida pelo Oscar de 2012.

Ótimo artigo! Vou até assistir Tropa de Elite 2, apesar de não gostar de filmes violentos. Claudia SRC
CurtirCurtir