Punks e o Poder da Imagem

Vivienne Westwood no final do desfile do Verão 2010, em Paris
Vivienne Westwood no final do desfile do Verão 2010, em Paris
Criticar a moda por ser fútil e superficial é simples – obviamente ela se sustenta em um mundo de aparências. O equívoco ocorre, porém, quando não levamos em consideração o poder e alcance que uma imagem tem. O movimento Punk foi uma demonstração clara desse poder. Uma juventude insatisfeita com a conduta do governo inglês se rebelou e usou sua imagem como linguagem.
Nascido em Londres no verão de 1976, o movimento punk era carregado pelos jovens descontentes com a desordem da economia Inglesa e a alta taxa de desemprego. Eles eram anti-establishment em todos os sentidos. Inquietos, encontraram em Vivienne Westwood e Malcom McLaren, uma inspiração de protesto. Westwood e McLaren firmaram uma das mais influentes parcerias entre a moda e a musica. Ela era proprietária e estilista da loja ‘Seditionaries’ e ele empresário da banda Sex Pistols e juntos, disseminaram a estética punk na Inglaterra. Ela vestia os integrantes da banda – famosa por suas músicas agressivas, que inspiravas os jovens rebeldes.
Nancy Spungen & Sid Vicious (vocalista do Sex Pistols)
Nancy Spungen & Sid Vicious (vocalista do Sex Pistols)
Suas roupas não eram acessíveis a todos, mas a estética punk de “faça você mesmo” era. As roupas que Westwood vendia (e que os jovens copiavam) eram rasgadas, tingidas e decoradas com alfinetes. Eram feitas em couro, borracha e PVC, fazendo alusão a elementos do sadomasoquismo. Traziam mensagens políticas estampadas, e os adeptos pintavam as unhas de preto, os cortes de cabelos e a maquiagem eram fortes e pesadas, além, é claro, com piercings faciais. A androgenia era um fator marcante: não existia uma forte distinção entre o que era considerado masculino e feminino.
Dizer que o resultado chocava não parece ser o suficiente. Esses jovens eram vistos como promíscuos e ofensivos, mas chamaram a atenção que tanto buscavam. Enquanto isso, em Nova York, a cultura punk também era cultivada, e não demorou para se espalhar pela Europa e notavelmente pelo Japão. Com o passar dos anos, a estética punk foi sendo mais aceita pela sociedade, e logo virou inspiração para outros estilistas.
cultura punk
cultura punk
Prova disso é a atual exibição ‘Punk: Chaos to Couture’ do Metropolitan Museum of Art em Nova York, que explora exatamente a relação entre o movimento punk e a inspiração das casas de Alta Costura. A própria Westwood começou a apresentar suas coleções em Paris em 1983, também deixando clara a influência do movimento para a moda.
Punk Caos to Haute Couture no MET 2013
Punk Caos to Haute Couture no MET 2013
Porém, mais do que ter influenciado a moda internacional, o movimento punk mostrou como era possível desafiar os estereótipos de beleza e de gênero sexual, trazendo uma nova possibilidade de beleza e feminilidade, que até então nunca tinha sido explorada. Mas talvez, a maior lição do movimento punk seja a importância e o poder de uma imagem, ele nos ensinou e como aliar e promover uma ideologia usando a roupa do corpo. E depois vem alguém e diz que a moda é superficial.
(Artigo colaborativo de Alice Coy)

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