Netflix exibirá documentário sobre Nina Simone na sexta-feira, 26 de junho

O Netflix exibirá o documentário What Happened, Miss Simone?, na sexta-feira, 26 de junho sobre a legendária cantora e pianista Nina Simone.
Dirigido por Liz Garbus, ele é baseado em 100 horas de gravações, onde Nina relembrava sua vida. Além de cartas, diários e entrevistas com a filha Lisa Simone Kelly, amigos e colaboradores.lecida aos 70 anos, em 2003, Nina foi uma das maiores cantoras de jazz. Além do seu inegável talento, era conhecida por seu temperamento, digamos, ‘difícil’.
Mas sua vida não foi nada fácil. Na biografia escrita por David Brun-Lambert, Eunice Waymon é lembrada como a primeira concertista negra de piano nos EUA, mas rejeitada no conservatório. Daquela decepção nasceu Nina Simone.
Nina Simone @ Reprodução
Dura, combativa e caprichosa, ela sempre suspeitou que a cor de sua pele tenha fechado as portas do conservatório musical da Filadélfia, cidade à qual tinha viajado desde o sul graças ao dinheiro arrecadado por sua comunidade, na qual sua mãe ocupava um lugar de destaque como reverenda batista.
Depois daquele fracasso sobreviveu em Nova York com trabalhos precários, até que decidiu tentar a vida em Atlantic City. Conta Brun-Lambert que “em um bar úmido com o solo coberto de serragem para secar o álcool derramado” foi onde Eunice se transformou uma noite em Nina Simone. O nome veio de um apelido dado por um namorado latino, ‘Niña’ e Simone como homenagem a Simone Signoret, atriz francesa famosa nos anos 50.
A jovem era pianista, mas o proprietário do bar a obrigou a cantar como condição para manter o emprego. Suas canções jamais seriam aprovadas pelas mãe evangélica.
Acompanhada de seu piano foi modulando uma das vozes mais pessoais do século XX, com a qual nos anos 60 e 70 imortalizou temas como “Aint got no – I got life” ou “I wish I know how it would feel to be free”, e gravou clássicos como “Here comes the sun”, “Just like a woman” e “Suzanne”.
Ela pôs sua voz e suas composições ao serviço da igualdade dos negros, como quando gravou em 1963 “Mississipi goddam” (“Maldito Mississipi”) para denunciar a violência racista após saber que um jovem ciclista negro tinha morrido por uma surra de um grupo de brancos. Era capaz de se comprometer com a justiça social até pôr em perigo sua carreira e sua própria vida, mas ao mesmo tempo pagava muito mal seus músicos.
Nina era uma mulher que ansiava uma serenidade que nunca obteve. Dona de uma complicada personalidade, colecionou decepções amorosas, brigou com o fisco de seu país e com as empresas fonográficas de meio mundo.
Nina Simone @ Reprodução
Ela conheceu a fama, mas no final dos anos 80 estava esquecida. Aí, a campanha da Chanel Nº 5 usou sua versão de “My baby just cares for me” – canção que Nina considerava de menor importância. Mas foi colocado nos primeiros postos das listas europeias, o que permitiu a sua intérprete retornar aos palcos na reta final de sua carreira.
E depois, a “diva rebelde” cumpriu com seu obstinado objetivo de desaparecer deste mundo aos 70 anos, ao morrer enquanto dormia em Carry-le-Rouet, um balneário próximo a Marselha.
Num artigo publicado no Caderno 2 do jornal O Estado de S. Paulo, em 01/11/2012, o pesquisador musical Zuza Homem de Mello apontou quem foram as Divas da história da música.
Sobre a cantora – que ele considerava uma grande Diva, revela: ‘Nina era intratável. Cometia as maiores grosserias com os músicos e todos ao seu redor. Uma vez que eu a trouxe ao Brasil, quando o diretor artístico do Via Funcha, a proprietária da casa, Vera Maluf, quis presenteá-la com uma caixa de bombons. Assim que terminou o ensaio, saímos correndo para dar a caixa para ela. Quando apanhou o presente, disse rapidamente um “tá, tá, eu não vou perder tempo com isto”. Entrou no carro e partiu para o hotel. Foi uma péssima experiência’.