Atuação magistral de Glenn Close no discreto e elegante ‘A Esposa’

Na mesa de celebração da alta honraria recebida pelo marido, Joan Castleman é questionada pelo Rei da Suécia, que está sentado ao seu lado, qual sua ocupação. Ela responde: ‘Eu construo Reis’. Pouco depois, angustiada, ela se levanta, sendo acompanhado pelo marido. A partir desse momento, a esposa vomita três décadas de uma grande farsa.
Essa descrição é da parte final de um filme de baixo orçamento chamado A Esposa/The Wife, dirigido pelo sueco Björn Runge e estrelado por Glenn Close e Jonathan Pryce, que chegara às telas nacionais somente em 10 de janeiro de 2019 – quase dois anos de sua finalização.
O motivo do atraso foi uma questão estratégica dos produtores para garantir a indicação ao Oscar 2018 para Glenn Close para, quem sabe, quebrar as seis derrotas anteriores.

Glenn Close em A Esposa (2018) @ Sony Pictures Classics

Na década de 80, Glenn entrou para a galeria das grandes atrizes americana, destacando-se nas telas como Marquesa Isabelle de Merteuil em ‘Ligações Perigosas’ e Alex Forrest em ‘Atração Fatal’. Nos palcos da Broadway, imortalizou a personagem Norma Demond, na versão musical do sucesso das telas de 1950 ‘Sunset Boulevard, garantindo um Tony, juntando-se aos outros dois vencidos anteriormente. Na TV, ganhou o Globo de Ouro e o Emmy por sua atuação em ‘Damage. Porém, apesar de seis oportunidades, nunca levou o Oscar.
Em ‘A Esposa’, ela tem uma atuação magistral. É um papel forte, porém discreto e elegante. Poucas atrizes transmitem emoções em silenciosos olhares que transitam do vago ao amargurado e do empolgado ao melancólico. Graças a ele que, desde cedo, percebemos que têm algo errado numa suposta harmonia do casal.
O filme começa em 1992, quando o casal de meia-idade Joe e Joan Castleman são acordados com uma ligação avisando que o marido ganhou o Prêmio Nobel de Literatura. Perplexos e felizes, eles celebram com os dois filhos Susannah – que está prestes a ganhar um filho e David, que será o acompanhante na viagem de Connecticut a Estocolmo. No avião, eles são abordados pelo jornalista Nathaniel Bone (Christian Slate, que está parecidíssimo com o falecido ator brasileiro José Wilker), que pretende escrever uma biografia de Joe.

A discreta Joan tenta manter a tranquilidade diante do pavoneado marido, que está vibrando com o prêmio. O que é natural, digamos, porém, um imprevisto encontro entre Joan e o escritor no bar do hotel reabre o baú de memórias.
O filme volta para 1958, quando a jovem aspirante à escritora, Joan (feita por Anne Starke, filha de Glenn e do produtor John H. Starke) assisti às aulas do professor Joe (Harry Lloyd), que está escrevendo seu primeiro livro, enquanto vivencia um casamento em ruínas. Num lançamento de um livro de uma polêmica escritora (uma ótima participação especial de Elizabeth McGowen, a Condessa Nora Crawley da série ‘Downtow Abbey’), a jovem Joan é desaconselhada a seguir a carreira de escritora. Segundo a explicação, quem manda no mundo da literatura são os homens e, dificilmente ela, como o jeito tímido de ser, conseguiria se impuser. Esse conselho irá guiar o destino da jovem.
O filme vai transitando pelo presente (1992) e momentos do passado, mostrando a infidelidade continua do marido diante da resistência e resiliência da mulher, ao mesmo tempo em que vai desvendando o grande segredo do filme.
‘A Esposa’ surpreende pela sutileza e delicadeza na narrativa de um drama com toques de suspense, principalmente porque, rapidamente, no meio do filme, surge uma desconfiança sobre a verdade. Porém, mesmo assim, surge uma grande dúvida: ‘Por que diabos essa mulher concordou com isso por tantos anos?’

PS: O trailer do filme é muito ruim. Supere sua desconfiança e encontrará um filme que irá provocar questionamentos.

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