Memória musical ou nostalgia de uma época

Numa época que não exista internet ou rede social, as músicas chegavam via Cinema, Rádio, Televisão, lojas, pistas de dança e shows. Viagem internacional não era tão comum, mas quem podia, conhecia inloco as novidades.
Na sequência, discos de vinil, Fita K7, CD, DVD Blu-Ray e internet, que bagunçou em todas as formas possíveis quando se pensa em fonte de comunicação.
Tenho idade para me lembrar da época que ouvia rádio e esperava tocar a canção que deseja com o dedo no botão REC do aparelho com gravador. Era triste quando entrava vinheta ou aquela voz melosa do locutor antes ou antes da música terminar. Ou quando assistia a um filme no cinema e esperava até os créditos para saber quem era o interprete da canção-tema.
O acesso a estas informações vinham assim ou nas revistas especializadas, quando eram lançadas no Brasil e comercializadas fora de São Paulo. Sim, rolava um lance do difícil acesso a música.
Na TV, novelas e programas de auditórios eram às fontes disponíveis. Programas voltados às novidades musicais eram exibidos na TV Cultura. Entenda: quando a MTV surgiu, era exibida em UHF em São Paulo. No resto do país, era uma TV paga, que tinha um alcance limitado.
Não tenho nostalgia de nada disso.
O tempo passou. Nasceu a internet. Conexão discada. Aquelas madrugadas conectados, pois o minuto era mais barato… Banda larga. Fibra ótica… E a antiga ‘seleção’ na fita K7 com 20 canções ganhou versão atualizada no pen drive com possibilidades infinitas – um de 8 GB comporta 1.600 canções em mp3 (média de 5MB) e um de 16GB pouco menos de 3.200 músicas.
Hoje, você acorda com uma canção na cabeça… Pega o celular, digita e ouve a mesma em menos de um minuto. Quando não lembra o nome, entra no Google, pesquisa e rapidamente descobre.
Claro que é possível ficar naquele lugar comum das canções do passado, normalmente lembrada com sorriso de uma lembrança muito boa. É óbvio, né, gente? Tudo era muito melhor quando a gente é criança ou adolescente. Por mais que algumas pessoas tiveram péssimas adolescências, o tempo filtra, deixa as partes ruins de lado, mantendo apenas aquela visão romântica que temos do passado. Já parou para pensar como somos pessoas que idealizamos um passado que muitas vezes nem foi tão bom assim?
Frases, como ‘ah, como era bom aquele tempo’ ou ‘eu era feliz e não sabia’ nada mais são romantizações que fazemos de uma fase cujas preocupações eram ir à escola, decorar a matéria para as provas, esperar o final de semana para ir ao cinema ou clube. Entenda: tudo é muito mais bacana quando você tem menos preocupações. Nesse sentido, a infância e a adolescência são os melhores momentos da vida de qualquer pessoa.

Zezé Motta Disco 1978

Música é um importante mecanismo na criação da memória. Você pode não lembrar quando, mas certamente, têm canções que te remetem a um momento de conforto. Ou tristeza também. Afinal, a vida não é feita apenas de alegria. E música tem o poder de te transportar para cada sentimento. Dos bons aos ruins.
Todo mundo tem sua canção-tema. Em alguns casos, como o meu, mais do que uma.
Há alguns anos criei uma lista com as 50 canções que marcaram minha vida. Foi uma viagem que começou com as primeiras lembranças que experimentei com minha mãe. D. Vera era uma mulher muito musical. Vivia cantando. De preferências as canções das Rainhas do Rádio, época da sua infância e pré-adolescência.
Ela me contava que era comum colocar um radinho de pilha no meu berço como uma forma de me ‘entreter’ quando estava trabalhando. Ou seja, ouvia música desde quando era bebê.
Graças a isso ou não, sou totalmente musical. Quando elaborei a lista das 50 canções pensei como cada uma se relacionava com determinadas fases da minha vida. Contei com memórias musicais ligadas à minha mãe, à amigos e à namorados, em especial ao Flávio.
Foi uma experiência curiosa e eclética que, de tempos em tempos, já ultrapassou a fronteira limitante de 50.

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