Teorias sobre a derrota de Glenn Close no Oscar 2019

Todo mundo esperava a primeira vitória de Glenn Close no Oscar. Seria uma forma tardia da Academia reconhecer quatro décadas da carreira de uma atriz com três Tonys, três Emmys, três Globos de Ouro, entre as 62 outras premiações.
Glenn levou praticamente todos os prêmios da temporada – Globo de Ouro, SAG, Independent Spirit Award, Critic’s Choice – pelo papel em ‘A Esposa’, mas foi derrotada pela sétima vez no Oscar por Olivia Colman, a Rainha Anne em ‘A Favorita’.

“Você é minha ídola, Glenn. Não gostaria que estivéssemos nesta posição”, reconheceu Olivia ao agradecer seu prêmio no palco. Sem nada preparado, a britânica de 45 anos é responsável pelo discurso mais divertido e inusitado da noite.

Em entrevista ao Entertainment Tonight, Glenn abriu o jogo sobre o que sentiu após ser derrotada mais uma vez.

“Estou me sentindo muito bem. Só fiquei chateada pelos apostadores que acreditavam em mim!”, brincou a atriz. “Todo o carinho que recebi nesta temporada mexeu comigo. Me sinto realizada e isso que importa”, concluiu Glenn.

Matemática

Oscar 2019 Glenn Close veste Carolina Herrera @Getty

Com a sétima derrota, ela empata com o falecido inglês Richard Burton que concorreu sete vezes sem vitória, mas ainda fica atrás de Peter O’Toole, com oito indicações também sem vitória.
Sua derrota despertou as mais diversas teorias de conspiração, tipo, a Academia não gosta da atriz, pois ela é feia ou porque ela é feminista…

Calma! Vamos nos ater às explicações mais lógicas:
Glenn concorreu por um filme independente, considerado ‘menor’. Pior: o filme deveria ter sido lançado em 2017, mas os produtores resolveram esperar para lança-lo em 2018 na esperança do papel render prêmios para atriz. De uma certa forma, deu certo. Mas, no Oscar, conseguiu uma solitária indicação. Olivia Colman, por outro lado, estava em ‘A Favorita’, que conseguiu dez indicações – incluindo Melhor Filme.
As regras para as indicações são: atores votam em atores, diretores votam em diretores, figurinistas votam em figurinistas. Depois do anúncio, todos têm direito a voto. Só que, estamos falando de oito mil membros. Por mais que seja obrigatório, nem todos viram os filmes ‘menores’. Mas ‘A Favorita’ foi visto por todos. Assim como ‘Nasce Uma Estrela’ e ‘Roma’.
Sendo assim, Olivia Colman, Lady Gaga e Yalitza Aparacio tinham mais chances de vencer, pois concorreram por obras que estavam indicadas como Melhor Filme. Eram papéis em filmes com maior visibilidade. Assim como Glenn, Melissa McCarthy (Poderia Me Perdoar?) também tinha poucas chances.
É matemática. Eventualmente, acontece de uma atriz ser indicada por um filme ‘menor’ ou ‘independente’, como Julianne Moore em ‘Simplesmente Alice’ no Oscar 2015 num ano com fracas concorrentes. No ano que venceu, apenas Felicity Jones concorria por uma obra indicada a Melhor Filme ‘A Teoria de Tudo’, mas sua atuação foi ofuscada por Eddie Redmayne que ganhou como Melhor Ator pelo papel de ‘Stephen Hawking. As outras concorrentes, Marion Cotillard (Dois Dias, Uma Noite), Reese Witherspoon (Livre) e Rosamund Pike (Garota Exemplar), também estavam em ‘filmes menores’.

Outro ponto: Olivia é britânica. Os votantes adoram premiar atrizes britânicas – Judy Dench, Kate Winslet, Emma Thompson, Julie Andrews, Vanessa Redgrave, Glenda Jackson, Elizabeth Taylor, Vivien Leigh, etc. E também os atores. Lembra da vitória de Mark Rylance no Oscar 2016 por ‘Ponte de Espiões’, num ano que todo mundo torcia para Sylvester Stallone em ‘Creed’? Então… Além de britânico, seu filme estava na corrida como Melhor Filme. Enquanto ‘Creed’ tinha uma solitária indicação.

A atuação de Glenn é toda trabalhada na sutileza de gestos contidos e olhares reveladores. Não é qualquer um que entende a força desse tipo de interpretação, principalmente os acadêmicos. Apesar da mudança no perfil nos últimos dois anos, a maioria ainda é composta por homens brancos, de meia idade e conservadores. Estão acostumados a ‘regras’.

Eles gostam de ‘composição’ – quando a ator ‘se transforma’. Engorda (Robert De Niro em ‘Touro Indomável’) ou emagrece (Tom Hanks em ‘Filadélfia’), enfeia- se a ponto de ser tornar irreconhecível (Charlize Theron em ‘Monster – Desejo Assassino’), modifica seu corpo graças à alguma doença degenerativa (Eddie Redmayne em ‘Teoria de Tudo’ ou ‘Daniel Day-Lewis em ‘Meu Pé Esquerdo’) ou utiliza de recursos de produção, como maquiagem pesada (Gary Oldman em ‘O Destino de Uma Nação’).
Além disso, sendo ou não uma ‘composição’, o ator precisa ser ‘a cena’ ou ‘the shot’, que é aquele climax de uma situação de catarse. Essa cena será usada no momento que o nome do ator/atriz é apresentado minutos antes do anúncio do vencedor. É um clássico de Oscar.
O personagem de Glenn tem uma ‘cena’ de catarse, mas é muito sutil.

Finalmente, Al Pacino e Geraldine Page não ganharam até a oitava indicação. Al ganhou em 1993 por ‘Perfume de Mulher’ e Geraldine em 1986 por ‘Regresso Bountiful’. E quanto a idade… Jessica Tandy ganhou seu primeiro Oscar de Melhor Atriz em 1990 por ‘Conduzindo Miss Daisy’. Estava com 80 anos. Dois anos depois, ganhou nova indicação como Coadjuvante em ‘Tomates Verdes Fritos’.

Existe um projeto de levar às telas a adaptação de Andrew Lloyd Webber do musical ‘Sunset Boulevard’, que garantiu o Tony 1995 de Melhor Atriz para Glenn.

Ou seja, Glenn Close precisa estar numa filme com ‘mais peso’ para ter uma nova chance de vencer. Caso contrário, nada feito.

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