Documentário revela a surpreendente estória do primeiro astro do futebol inglês a assumir sua homossexualidade

A carreira do primeiro jogador de futebol negro a assinar um contrato de um milhão de libras com um time inglês ao mesmo tempo que sua homossexualidade é revelada são alguns dos temas do documentário Forbidden Games, de Adam Darke e Jon Carey, na Netflix.
Dono do gol mais famoso da época, Justin Fashanu tornou-se uma celebridade do futebol entre os anos de 1980 e 1990. Ao mesmo tempo que sua carreira estava no auge, sua vida pessoal é colocada em destaque quando, cansado da pressão, resolve assumir que era gay.

Até aí, a empatia é a primeira reação que tive com a estória do garoto abandonado pelo pai nigeriano que resolve voltar para a África. Sendo muito pobre para cuidar de quatro filhos, a mãe guyanese leva Justin e seu irmão menor, John, a um orfanato. Sentimento de rejeição que o primeiro nunca conseguiu superar. Felizmente, eles são adotados por um casal de meia-idade inglês que morava no pequeno condado rural de Norfolk.
Eram os únicos negros do local na década de 1970 e, apesar disso, se destacou como jogador de futebol. Entenda o ‘apesar disso’, pois o racismo era gritante no país naquele período.
Com 17 anos, Justin começou a jogar no time do condado, no qual foi se destacando. Consegue realizar o gol mais surpreendente para Norwich em 1980 contra o poderoso time de Liverpool. Isso o transforma numa celebridade nacional.
Com uma marca de 40 gols em 103 partidas em 1981, Justin foi contratado por um milhão de libras – o valor que o tornou o primeiro jogador negro mais bem pago do futebol inglês até então.
Apropriando-se com muito afinco da fama, ele entendeu que o futebol seria seu caminho para o empoderamento social:

“O Futebol serve para mostrar como somos relevantes para a sociedade”, declarou na época.

Forbidden Games Documentário Netflix 2017 @ Divulgação

Aliado ao apurado senso estético, apreço por roupas caras, carros e as luzes do sucesso, tornou-se o nome mais famoso do futebol da época.
Porém, as coisas não saíram como planejado. Seu alto salário incomodava aos colegas, começavam a surgir os primeiros boatos sobre sua orientação sexual. Para pior, seu técnico era claramente homofóbico.

Fatos que prejudicaram seu desempenho no campo. Resultado: ele passou por 20 diferentes clubes, como Los Angeles, Hamilton, Ontario, pelos próximos 16 anos.
Apesar do fraco desempenho em campo, Justin era uma celebridade, aproveitando todas as oportunidades possíveis para manter-se em evidência, aceitando convites para apresentar premiações e entrevistas em variados programas de TV.

Justin Fashanu Documentário Forbidden Games @ Reprodução2

Com seu declínio, seu irmão John começou a se destacar também no futebol. Seguindo o mesmo caminho de Justin, também adorava abraçava a ideia da celebridade. Porém, a fama de ‘perdedor’ do irmão o irritava profundamente.
Aí… Depois de anos se recusando a falar do assunto, Justin decidiu ‘sair do armário’. Ótima decisão, lógico. O problema foi a ‘forma’ que fez isso.
Olha só: ele ‘vendeu’ uma entrevista ao tabloide sensacionalista The Sun por 100 mil libras.
Ao saber disso, John ofereceu 30 mil a mais para o irmão desistir da ideia. Porém, Justin recusa.
“Estrela do futebol de 1 milhão de libras: Eu sou gay” era o título da manchete. Ah… Ele aproveitou para revelar que fazia sexo com um parlamentar do Partido Conservador na Câmara dos Comuns – o Parlamento britânico. Foi um escândalo internacional.

Justin Fashanu no jornal The Sun @ Reprodução

A partir desse momento, o documentário vai desnudando outras camadas da complicada personalidade de Justin.
As frases ‘primeiro jogador negro que se destacou no futebol inglês’ ou ‘primeiro jogador que assumiu ser gay no futebol’ dividem espaço com outras questões que envolvem a ética do rapaz.

Cartaz do Documentário Forbidden Games @ Reprodução

Dramaturgicamente falando, se fosse uma obra de ficção, o autor ganharia elogios por mostrar facetas de uma personalidade complexa, cheia de matizes, que surpreende conforme são reveladas. O personagem também seria um grande papel que seria vivido intensamente por um bom ator. Porém, no documentário, que se propõe a ‘contar a estória real’, esse tipo de personalidade transita por um caminho mais complicado – e igualmente fascinante.
É o mérito da direção e do roteiro da dupla Adam Darke e Jon Carey, que intercala com extras sobre a questão da Aids, falas de políticos do Partido Conservador, Margareth Thatcher, Parada do Orgulho na Inglaterra, entre outras cenas.
Certamente, depois de terminar de assisti-lo, você terá uma opinião diferente sobre os rumos da vida de Justin Fashamu.
Recomendo.

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