Bela Vingança – Pense num filme provocativo

Vingança ou Justiça? Qual a linha que separa uma da outra? Ou é tudo a mesma coisa?
Para Cassandra Thomas, tudo é uma questão de perspectiva. Aos 30 anos, mora com os pais e trabalha como garçonete de um café com uma simpática proprietária. Aparentemente uma vida comum.
À noite, Cassie é uma ‘party girl’. Usando maquiagem pesada e roupas provocantes, ela frequenta a bares e clubs. Tudo é divertido, até o momento que ‘bêbada de cair’, homens se dispõem a levá-la para suas casas. Como típicos predadores, não deixaram passar a oportunidade. Porém, quando menos esperam, eles têm uma surpresa.
Não vou contar mais porque Bela Vingança é um filme necessário e contemporâneo. E precisa ser assistido.
De uma maneira peculiar, ‘Bela Vingança’, título em português de ‘Promising Young Woman’, é um filme sobre uma mulher determinada a resolver um grande problema que atrapalha sua vida. Para isso, recorre a artifícios que flertam com o perigo. Também subverto o jogo dominado pelos homens.
O filme abre discussões ao mostrar um dado do comportamento masculino que pouca gente gosta de encarar, propondo uma questão: “Por que homens – aparentemente comuns – se transformam em predadores quando estão diante da fragilidade de uma mulher?”.
Cassandra Thomas ou Cassie rompe um padrão na carreira da talentosa Carey Mulligan. Seus melancólicos olhos ajudaram-na na composição de mulheres comuns que transitavam entre a fragilidade ou a passividade, como mostrou em ‘O Grande Gatsby’, ‘Educação’ ou ‘Mudbound – Lágrimas Sobre o Mississippi’. Aqui, ela avança duas casas ao construir uma personagem complexa, misturando esperteza, ironia e fartas doses de vilania. Seu nome é certo nas listas das melhores atrizes do ano (até aqui ganhou nove prêmios da critica americana).

Outro acerto foi o casting masculino com atores com cara de ‘bom moço’. É uma forma de certificar que, por trás de todo cordeirinho se esconde um lobo-mau.
Surpreendente estreia na direção da atriz e roteirista inglesa Emerald Fennell. Em 2020, ela foi a Camila Parker Bowles, na quarta temporada de ‘The Crown’. Antes, escreveu e produziu episódios de ‘Killing Eve’. Seu primeiro trabalho como diretora foi num curta com a atriz Phoebe Waller-Bridge chamado ‘Careful How You Go’.

Plus: Quem é que não se arrepia com Toxic tocado num violino por Anthony Willis? Essa é uma das sensacionais canções que compõem a trilha sonora do filme. Quem imaginaria que ‘It’s Raining Men’, o cafoníssimo hino gay do início da década de 80, ganharia uma roupagem tão chic e incomum?

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