Hollywood vs Oscar

Assisto às cerimônias do Oscar desde os anos 1980, quando começou meu interesse por cinema. Não entendia direito, mas gostava da ideia do reconhecimento artístico de cada premiado.
Com interesse em aprender sobre seu mecanismo, mergulhei numa infinidade de livros, jornais e revistas. E nunca deixei de assistir a cada cerimônia.

Com o acesso às TVs fechadas nos anos de 1990, comecei a assistir outras premiações. Assim, surgiram as comparações. Com a internet, este conhecimento se ampliou em elevados graus.
Nos últimos anos, descobri os sites de apostas, com participação de jornalistas, críticos e fãs. Eles se baseiam em determinadas métricas, como reações em festivais de cinema, histórico da academia, níveis de popularidade de atores, etc para desenhar prováveis cenários para as próximas premiações.

Há uns dez anos comecei a elaborar uma lista com os premiados em associações, festivais e círculos de críticos e jornalistas nas categorias Filmes, Direção, Atores Protagonistas e Coadjuvantes, Roteiros Originais e Adaptados e Filmes Internacionais. Desta forma, vou me aquecendo para a ‘grande noite’ do Oscar.
Naturalmente, depois de tantos anos assistindo cerimônias, acompanhando os sites de apostas e ficando atento ao início da Temporada de Prêmios (novembro/dezembro), experimento um misto de sensações ao notar o quanto é um jogo de cartas marcadas.

Cinema ‘popular’ vs ‘artístico

Com 94 anos de existência, com a máxima de celebrar os méritos artísticos e técnicos do cinema, a Academia teve acertos, mas muitos erros, principalmente quando se distanciou do chamado ‘cinema popular’. Quem se lembra (ou assistiu) de ‘Crash’, ‘Spotlight’, ‘A Forma da Água’, ‘O Discurso do Rei’ ou ‘Shakespeare Apaixonado’? Pois é…

No Oscar 2022, o filme de maior bilheteria – U$1,891 bilhão – ‘Homem Aranha: Sem Volta para Casa’ ganhou uma única indicação como Efeitos Especiais. E perdeu! Veja bem: a obra está em terceiro lugar como a maior bilheteria da história do cinema mundial – só perde para ‘Star War: O Despertar da Força’ e ‘Vingadores: Ultimato’.
Se ele é filme de super-herói, de bonequinho, para nerd, feito para um determinado público, descartável ou não, é cinema!

Cinema é para ser visto! É para divertir, emocionar e causar reações! Ok, ele também é para pensar  e provocar discussões.
Porém, achar que filme ‘popular’ é ‘menor’, porque ele não é uma obra intimista sobre relacionamentos entre pai e filho, uma tragédia sobre doença, uma reconstrução histórica ou a biografia de um grande nome da história, é uma discussão caquética. Cheira mofo!

O Exorcista Poster 1973

Desde os anos 70, quando o cinema popular ganhou espaço, com obras como ‘O Exorcista (único filme de terror indicado a Melhor Filme)’, ‘Tubarão’, ‘Contatos Imediatos do Segundo Grau’, ‘Star Wars’, entre outras, a Academia se fechou num mundinho só seu.
Da lista das 100 maiores bilheterias da história, somente ‘Titanic’ (1997 – 7º lugar,), ‘Senhor dos Aneis: O Retorno do Rei (2004 – 46º lugar) e ‘Forrent Gump’ (1994 – 69º lugar) ganharam o Oscar de Melhor Filme.
Veja bem: Oscar é o prêmio de uma indústria que fabrica filmes (e séries, mas esta é outra história), porém, há 25 anos que a Academia não se afina com o gosto de quem manda na porra toda (Hollywood).

Sem tirar qualquer mérito do fofíssimo premiado como Melhor Filme no Oscar 2022, ‘No Ritmo do Coração’, mas gente…

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