“Pam & Tommy” retrata o machismo na indústria do entretenimento dos EUA

Como a estonteante salva-vidas C.J. Parker em “S.O.S. Malibu” (Baywatch, no original), Pamela Anderson era um dos nomes mais famosos da TV dos EUA no início dos anos 90. Seu corpo num cavado maiô vermelho e seus nove ensaios para a revista Playboy também contribuíram para se tornar o maior símbolo sexual da época.
Em dezembro de 1994, quando estava numa balada com amigas, ela conheceu o roqueiro Tommy Lee, baterista da banda de glam metal Mötley Crüe (que vivia a sombra do sucesso de mais de 100 milhões de cópias vendidas na década de 1980).
Foi uma atração instantânea que resultou num casamento quatro dias depois de se conheceram. Antes, Tommy foi casado por sete anos com a atriz Heather Locklear (a vilã Amanda Woodward da série “Melrose Place”).
Sex Simbol e Roqueiro Megalomaníaco representavam tudo o que os tabloides (imprensa especializada em cobertura da vida de celebridades) amavam.
Ela aceita morar na mansão dele em Malibu, que passava por reformas. Por um desentendimento financeiro, Tommy despede o eletricista, Rand Gaulthier, sem pagar pelos serviços prestados. Em vingança, depois de observar por meses o movimento na propriedade, ele furta um cobre, contendo armas, dinheiro, joias e uma fita H8. Descobre uma gravação de Pamela e Tommy fazendo sexo numa lancha em alto-mar.
Bate na porta de produtores e distribuidores da indústria pornô. Alegando falta de autorização, todos recusam. Com ‘ajuda’ de um conhecido diretor de filmes de sexo, Rand monta uma operação para comercializar a fita pela internet, que dava seus primeiros passos e ainda sem qualquer controle do que era exibido.
Pamela e Tommy só descobrem o furto do cofre em janeiro de 1996. Tentam várias maneiras de interromper a disseminação das cópias, processando diversas instituições e pessoas que tinham a obra, porém sem sucesso.
Uma cópia cai nas mãos de Bob Guccione, dono da revista Penthouse, maior inimigo de Hugh Hefner, dono da Playboy, que decide publicar frames do filme numa de suas próximas edições.
Só para entender: os nus da Playboy eram considerados de bom-gosto. Por outro lado, a Penthouse era mais ‘ginecológicos’. Digamos assim.
Orientados pelos advogados, Pamela e Tommy resolvem processa-lo. Foi o maior tiro no pé. O assunto viralizou e se tornou um escândalo internacional.
Enquanto a vida pessoal de Pamela era devastada nos tribunais, Tommy, mesmo relutante, começou a ser reconhecido como ‘herói’, graças as grandes dimensões de seu pênis.

Minissérie

Baseada no artigo publicado na revista Rolling Stones em 2014 por Amanda Chicago Lewis “Pam and Tommy: The Untold Story of the World’s Most Infamous Sex Tape”, a história se tornou a excelente minissérie Pam & Tommy, da plataforma de streaming Star+.
Em oito episódios, Lily James e Sebastian Stan surpreendem pela entrega e verdade que colocam nas composições. O trabalho de caracterização é um assombro. Não demora dois episódios para vermos Pamela Anderson e Tommy Lee em cena. Ambos estão tão convincentes que, em alguns momentos, parece que estamos assistindo a um documentário.

Também surpreende a atuação de Seth Rogen, que consegue bons momentos no papel de ‘vilão’, mesmo mantendo o ar de boboca, que é uma característica própria do ator.

Cartaz de Pam @ Tommy @ Hulu

A minissérie conta com Simon Siegel como showrunner e Craig Gillespie, Lake Bell, Gwyneth Horder-Payton e Hannah Fidell se revezam na condução dos episódios. Grande acerto a escolha de três mulheres na direção. Era necessário ter empatia feminina para retratar o complicado momento que viveu a atriz.
Ao contrário do que todo mundo fez, a minissérie optou por não julgá-la e sim mostrar o quanto o machismo foi o fator determinante para as coisas saírem tão de controle.
Foi o nome de Pamela que se tornou piada e objeto de escárnio nos programas de humor, Talk-shows e outros que não a pouparam. Numa das entrevistas dadas ao The Tonight Show com Jay Leno, no qual, em rede nacional, sem qualquer tipo de sensibilidade, ela foi colocada numa situação constrangedora.
Por outro lado, como já escrevi, Tommy foi celebrado pelo tamanho do pênis.

Ou seja, era o machismo tóxico e perverso gritando que “machos podem aparecer numa Sex Tape fazendo sexo com uma mulher sem correr riscos em sua carreira, ao contrário da mesma, que recebe os títulos de ‘vadia’, ‘puta’ ou ‘biscate’.

É para pensar!

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