Quinta Coluna – 101 Crônicas de Contardo Calligaris

Coluna assinada pela livreira Micaela Huertas – especial para o MONDO MODA

Na semana passada perdemos mais um pensador do mundo contemporâneo. Contardo Calligaris faleceu na terça, 30 de março, aos 72 anos, perdendo a luta para o câncer.
Conheci Contardo através de sua coluna semanal na Folha de São Paulo desde 1999. Na época ainda assinava o jornal escrito. Fiquei encantada com seu texto, com as análises que fazia do cotidiano, do humano, dos sentimentos e do contexto social e político.
Foi um intelectual destes que engrandece o debate por onde passa e decidiu não passar incólume por esta vida.
Nascido em Milão em 1948, estudou Epistemologia Genética, na Suíça, ao mesmo tempo em que cursava Letras. Tornou-se professor de Literatura e doutorou-se em Semiologia. Quando decidiu fazer análise, apaixonou-se pela área e entrou para a Escola Freudiana em 1975.
Já doutor em Psicologia Clínica pela Universidade de Provença (França), desembarcou no Brasil em 1986 para a divulgação de seu primeiro livro sobre Psicanálise, “Hipótese sobre o Fantasma”. Aqui conheceu a futura esposa e, posteriormente, fixou residência em São Paulo.
Com todos estes títulos, Contardo foi psicanalista, escritor, dramaturgo e cineasta.
Uma vontade minha, que ficou sem realização, era assisti-lo ao vivo. Nas palestras e entrevistas que pude conferir pela internet, o psicanalista tinha a mesma capacidade de falar e escrever temas complexos de forma simples e clara.
Pela admiração que tenho por sua obra e por quem foi, decidi trazer a indicação do seu livro Quinta Coluna – 101 crônicas, de 2008 (Publifolha).
O livro é a reunião de crônicas publicadas em nove anos de coluna no caderno “Ilustrada” da Folha, com temas variados, mas sempre analisando a existência humana e como nos comportamos frente aos acontecimentos.

Livro Quinta Coluna – 101 Crônicas de Contardo Calligaris @ Acervo Micaela Huertas

Contardo fala de coisas do dia a dia, de cinema, arte, cultura, literatura, política e questões sociais. Cada crônica é um mergulho na sua forma de analisar nossa sociedade e nosso comportamento, além da possibilidade de tirar desta reflexão soluções para a nossa própria vida.
O nome do livro é explicado na apresentação e demonstra o universo que estamos entrando ao iniciar a leitura. O termo de guerra – Quinta Coluna – tem origens históricas e teve seu significado alterado com o passar do tempo. Para o título, Contardo se apropria e traça um paralelo com a ação da psicanálise em consultório. Em suma, na guerra ou na terapia, a quinta coluna representa a ideia de que no centro de um conflito temos sempre esperança de encontrar aliados para vencer a batalha.
Apesar das crônicas se aterem a acontecimentos entre 1999 e 2008, a atualidade dos temas e da análise perdura. Quando os acontecimentos envolvem questões políticas, a análise nos fornece elementos interessantes para analisarmos o Brasil atual.
Fica então esta outra coluna aqui, de uma simples admiradora, como despedida e homenagem a alguém tão necessário nestes tempos estranhos.

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