(Atualizada) Jorge Marcelo Oliveira escolhe os Melhores do Cinema em 2021

A Temporada de prêmios dos filmes dos EUA aponta as obras mais relevantes do ano. Ser indicado ou vencer um prêmio desperta a curiosidade de todo cinéfilo.
Seja nas salas de cinema (vou cada vez menos), seja pelas plataformas de Streaming (que adoro), a paixão pelo cinema continua firme e forte para quem aprecia esta arte. Confesso que ir à uma sala de cinema se tornou um processo muito difícil. Se até a pandemia, as pessoas falavam, cacarejavam, mugiam, peidavam, ruminavam… Como se estivessen na sala de casa, agora, a coisa é 200 mil vezes piores.

Confira as escolhas do editor do MONDO MODA para os melhores do ano no Cinema.

2021 começou com as obras que estavam fervilhando nas temporadas de apostas para o Oscar como ‘Nomadland’, ‘Bela Vingança’, ‘Minari’ e ‘Meu Pai’. Obras consistentes que dominaram as atenções no primeiro semestre.

Frances McDormand em Nomadland @ Divulgação

Terminada a temporada do Oscar, a versão de Zack Snyder de ‘Liga da Justiça (HBO Max)’ foi o centro de todas as discussões. Apesar de muito longa, finalmente o filme ‘foi consertado’, mostrando potenciais que foram esquecidos na versão editada.
A estreia de ‘Cruella (Disney Plus)’ em junho foi o momento escapista que estávamos esperando há alguns meses. O filme tem problemas na estrutura do roteiro, mas Emma Stone, Emma Thompson, os figurinos e a trilha sonora se destacaram. Todo mundo falou do filme. Gostando ou não.

Figurinos de Cruella assinados por Jenny Beavan (2021) @ Disney

A animação ‘Luca (Disney Plus)’ chegou com uma deliciosa obra feita para o público infantil com uma bela mensagem sobre inclusão social.

Luca (2021)

A trilogia ‘Rua do Medo: 1984, 1978 e 1666 (Netflix)’ mostrou algum frescor no estilo ‘Gore Movie’. Se o primeiro é o mais fraco, o segundo melhora e o terceiro amarra a trama muito bem. Netflix acertou em cheio com a aquisição.

Trilogia Rua do Medo (2021)

Outra obra da Netflix, ‘Céu Vermelho-Sangue’ chegou com uma intrigante trama que misturou gêneros de terror com suspense.

Céu Vermelho-Sangue @ Netflix

Dando início a Temporada de Prêmios 2021-2022, ‘CODA/No Ritmo do Coração (You Tube)’ chegou com toda a graça, força e meiguice de uma produção independente que fala com talento sobre pessoas fora do padrão.

No Ritmo do Coração (2021)

O nacional ‘7 Prisioneiros (Netflix)’ surpreendeu com um trama que mistura denúncia de trabalho escravo, ambição e sobrevivência. Sem cair no óbvio, tornou-se objeto de discussão para quem esperava ‘um final feliz’.

7 Prisioneiros @ Netflix

Ambiciosa mulher conhece herdeiro de uma grande fortuna do universo da moda italiana, se casam e tem uma linda criança. Isto tudo acontece durante uma disputa de poder e denúncias de corrupção até um assassinato do herdeiro a mando da mulher.
Versão para cinema a partir de um livro reportagem de Sara Gay Forden, Casa Gucci tem cara de minissérie americana dos anos 80, como ‘Dallas’ ou ‘Dinastia’. É camp do começo ao filme. Os sotaques dos atores são tão horríveis, que, me perguntei: ‘Jura que isso é do Ridley Scott?’
Com uma montagem tosca, o filme funciona se pensarmos que se trata de um produto para TV. Como cinema… Pelo amor…
Do elenco… Lady Gaga está ótima. Ela entendeu a proposta de farsa e aproveitou muito bem a ideia. É sua melhor atuação até agora.

Garota sai do interior da Inglaterra para estudar moda em Londres no filme ‘Noite Passada no Soho’. Apaixonada pelos anos 60 – com direito a ouvir somente as canções da época – aluga um quarto num antiga casa de uma mulher rígida.
À noite, Eloise (Thomasin McKenzie) sonha com uma glamorosa garota chamada Sandie (Anya Taylor Joy), que planeja se tornar cantora exatamente na Londres da década de 1960. A cantora Cilla Black – um dos maiores sucessos da época – está se apresentando no club do primeiro encontro entre ambas.
Aos poucos, a estranha transição de tempos entre ambas começa a se tornar complicada, principalmente quando Eloise descobre que existe um lado bem perigoso por trás do aparente glamour da vida de Sandie.
O filme transita entre um interessante thriller sobre viagem ao tempo para o Gore Movie. A conclusão final poderia menos óbvia, mas funciona.

Noite Passada no Soho @ Divulgação

Olhos de Tammy Faye’ mostra ascensão e queda do casal de crentes que criaram um canal para fazer pregação. Chamado de televangelismo, tornou-se um fenômeno nos EUA entre os anos 70 e 80 – no Brasil, experimenta não ter acesso aos canais fechados ou não assinar as plataformas de streaming… Enfim… Jim e Tammy Faye Baker se tornaram populares e enriqueceram usando a fé, a ignorância e a ingenuidade de milhões de pessoas.
Apesar da caprichada produção, a primeira parte da trama é muito ruim. Demora a criar alguma simpatia pelos personagens, mesmo sendo uns safados. O que ajuda é a atuação do casal de protagonistas.
Andrew Garfield está ótimo, mas o filme é de Jessica Chastain, que rouba as cenas com atuação envolvente. Sua maquiagem grotesca lembrou Bette Davis no clássico ‘O Que Terá Acontecido à Babe Jane’ poderia atrapalha-la, porém, ela consegue arrancar emoção e até simpatia. Mereceria o Oscar 2022 de Melhor Atriz, mas vai perder para Kristen Stewart.

Olhos de Tammy Faye (2021)

A diretora neozelandesa Jane Campion apostou suas fichas no intimista e surpreendente ‘Ataque dos Cães (Netflix)’. Sua direção e a atuação de Benedict Cumberbatch são incríveis. Assim como a fotografia e a trilha sonora.

Ataque de Cães @ Netflix

Os últimos dias de dezembro trouxeram dois grandes momentos para a Netflix: ‘Não Olhe Para Cima’ e ‘A Filha Perdida’.
O primeiro é um show de cinismo, ironia, crítica social, deboche e inteligência numa farsa sobre o mundo atual que está incomodando os radicais de direta. Podemos discutir ignorância, feminismo, terraplanismo, lideres ordinários… É o filme mais oportuno do ano.

Não Olhe Para Cima @Netflix

O enorme talento de Olivia Colman garante o interesse numa obra intimista, discreta, feminina e sincera sobre o Mito da Maternidade em A Filha Perdida. A obra começa com uma mulher de 47 anos, Leda, em férias à beira-mar. Logo ela se interessa pela vida de uma jovem mãe de uma menina pequena. Revelações acontecem conforme a trama volta há 20 anos, quando Leda sofre para ficar com as duas filhas pequenas, enquanto é despertada à voltar à Pós-Graduação. Recomendo.

A Filha Perdida @ Netflix

Outras títulos que mereceram menção são:

  • Belfast – Quem não se apaixona por filme com criança? E está ótimo!
  • Respect (Vivo TV) – O roteiro é horroroso e Jennifer Hudson, como Aretha Franklin… Dá um show de imitação…
  • Apresentando os Ricardos (Amazon Prime) – É a ‘volta’ de Nicole Kidman como protagonista num filme que deve garantir indicação ao Oscar. Pena que sua atuação não salva o filme da chatice.
  • Spencer – Show de Kristen Stewart como Princesa Diana. Deve ganhar o Oscar de Melhor Atriz. Seus figurinos e a trilha sonora também são bacanas.
  • …tick, tick… BOOM! (Netflix) – Andrew Garfield tem seu melhor momento como ator. Pena que é num musical… Com muita música… Chato para cacete!
  • Maringhela (Globoplay) – Importante ser conhecido pelas novas gerações para entender os absurdos feitos pela Ditadura, que, vez outra, dá sinais que pode voltar. Poderia ter um roteiro menos óbvio.
  • Identidade (Netflix)– O melhor foi a escolha da fotografia em preto e branco para retratar a questão do ‘Passing’, ou seja, ‘passar-se como branco numa sociedade racista e excludente. As duas atrizes principais Tessa Thompson e Ruth Negga dão o máximo que podem, mas o roteiro é horroroso.
  • King Richards: Criando Campeãs – Se você aguentar Will Smith tentando provar que consegue atuar com suas duas expressões por 2h30 numa estória de Sessão da Tarde, sem um pingo de emoção, força! Um documentário seria mais interessante.
  • O Canto do Cisne (Apple TV) – Com doença fatal, homem (Mahershala Ali) procura uma clínica para ser clonado para não deixar esposa e filho quando morrer. Glenn Close é a médica responsável. Apesar do ritmo bem lento e sem muitas novidades na temática, o talento de Mahershala está acima de seus colegas anteriores que fizeram filmes com temática parecida.
  • Cercado com muito publicidade ‘Eternos’ chegou para apresentar o novo universo dos fãs da Marvel. Não foi ruim, mas também não foi bom. O que gostei foi dos figurinos e da questão da inclusão social no universo de heróis. As participações de Angelina Jolie e Salma Hayck foram desnecessárias. Apesar de mediano, merece ser visto.